Mudanças na rotina, fogos de artifício, viagens e alimentação inadequada estão entre os principais riscos para cães e gatos nesta época do ano; médico-veterinário orienta como prevenir problemas
As festas de final de ano, tradicionalmente associadas a viagens, reuniões familiares e comemorações, também representam um período de maior risco para a saúde e o bem-estar dos pets. A mudança brusca na rotina, o barulho dos fogos de artifício, a exposição a outros animais e até pequenos “deslizes” na alimentação podem desencadear desde quadros leves de estresse até problemas graves de saúde.
Segundo o médico-veterinário Heitor Fioravanti, proprietário da Clínica Dr. Niva e Cia, o estresse causado pela alteração de hábitos é um dos principais fatores de adoecimento nesta época. “Muitos tutores relatam que o animal só ficou doente depois que viajaram ou receberam visitas em casa. Isso é mais comum do que se imagina, porque o pet é muito sensível à mudança de ambiente e rotina”, explica. A recomendação é realizar um check-up antes das festas, manter vacinas e antiparasitários em dia e, no caso de viagens, fazer uma adaptação prévia do animal ao cuidador, pet sitter ou hotel.
Os fogos de artifício merecem atenção especial. O barulho intenso pode provocar crises de pânico, fugas e acidentes, como quedas de sacadas, cortes e atropelamentos. Além disso, animais com doenças pré-existentes, como cardiopatias ou quadros convulsivos, podem sofrer descompensações. Sinais como respiração ofegante, tremores, vômito, diarreia e língua arroxeada indicam que o pet está em sofrimento e precisam ser observados com cuidado.
Para minimizar os impactos, o veterinário orienta a criação de um ambiente seguro dentro de casa, sem rotas de fuga, além de técnicas de adaptação gradual aos sons. “A exposição progressiva a barulhos de fogos, associada a atividades prazerosas, ajuda o animal a não relacionar o som ao medo”, afirma. Coletes de proteção, inclusive versões caseiras que simulam um “abraço”, também podem ajudar, assim como o uso de feromônios sintéticos que transmitem sensação de segurança. Em alguns casos, medicamentos podem ser indicados, sempre com prescrição veterinária e uso prévio para ajuste de doses.
Outro ponto crítico é a alimentação. Durante as ceias, é comum que os pets recebam pequenos pedaços de comida humana, mas esse hábito pode causar sérios problemas gastrointestinais. “Mesmo um pedacinho pode desencadear quadros de gastroenterite ou pancreatite, muito frequentes nesta época do ano”, alerta Fioravanti. O ideal é manter a dieta habitual. Para incluir o pet de forma segura na comemoração, legumes como chuchu, brócolis, vagem e couve-flor cozidos, sem tempero, são opções mais adequadas, além de dietas naturais próprias para consumo animal, sempre respeitando a individualidade de cada pet.
O calor intenso também interfere na hidratação. Com a agitação das festas e viagens, muitos animais acabam bebendo menos água do que o necessário. A orientação é espalhar mais vasilhas pela casa, oferecer água durante os passeios e, se necessário, estimular a ingestão com alternativas como “sorvetes” feitos com ração e água.
Os casos de fuga aumentam significativamente no final do ano, especialmente durante a queima de fogos. Animais assustados podem tentar escapar mesmo estando acostumados a ficar sozinhos. “Um pet que tem medo de fogos não deve ficar sozinho nesse período”, reforça o veterinário. O uso de plaquinhas de identificação e microchip é fundamental para facilitar o retorno ao lar, embora não substituam dispositivos de rastreamento, como localizadores acoplados à coleira.
Para quem vai viajar, a escolha de um hotel para pets deve ser criteriosa. É importante buscar referências, conhecer o local e iniciar a adaptação pelo menos um mês antes da viagem, com visitas regulares. Levar o animal pela primeira vez próximo da data da viagem é um dos erros mais comuns cometidos pelos tutores. Em deslocamentos de carro, recomenda-se evitar viagens muito longas, fazer paradas frequentes, viajar em horários mais frescos, usar cinto de segurança ou caixa de transporte e nunca dispensar água fresca.
Ao final, o principal conselho é simples e preventivo. “Confira agora mesmo a carteira de vacinação do seu pet e quando foi o último exame de sangue. Se já passou mais de um ano, não adie”, orienta Fioravanti. Filhotes, idosos e animais com doenças crônicas devem evitar viagens e situações de estresse, priorizando ambientes conhecidos e rotina estável.
Com planejamento, informação e cuidados básicos, é possível garantir que o final de ano seja um período de tranquilidade e segurança não apenas para os tutores, mas também para seus companheiros de quatro patas.
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