Com a chegada do inverno, cães e gatos ficam mais suscetíveis a doenças respiratórias, ortopédicas e até oculares. A baixa temperatura, a queda na umidade do ar e os ambientes fechados e pouco ventilados aumentam os riscos de complicações que, se não forem diagnosticadas e tratadas rapidamente, podem colocar em risco a saúde dos animais.
De acordo com o médico-veterinário Heitor Fioravanti, durante essa estação, os cães apresentam maior incidência de bronquite, pneumonia, gripe canina e até cinomose, que tende a ter alta circulação no período. Nos gatos, a rinotraqueíte – conhecida como “gripe dos gatos” – aparece com mais frequência em decorrência do estresse térmico e da aglomeração entre animais.
Outro fator comum é a manifestação de dores articulares. “As baixas temperaturas, associadas à diminuição das atividades, podem levar a contraturas ou atrofias musculares, sobrecarregando as articulações e favorecendo o aparecimento de dor”, explica o médico-veterinário. O problema se assemelha ao que ocorre em pessoas que sofrem com dores de coluna, joelho ou têm histórico de fraturas ósseas, que sentem piora dos sintomas no frio. Além disso, a estação também intensifica o ressecamento ocular, piorando quadros de olho seco e favorecendo o surgimento de úlceras de córnea.
Sintomas que merecem atenção
Os tutores devem observar sinais como secreção nasal, espirros, engasgos, falta de apetite, prostração e redução das atividades de rotina. Indícios de dor – como gritos, tentativa de morder ao se levantar ou incômodo ao toque – também exigem cuidado.
Segundo Fioravanti, os sintomas podem variar conforme a espécie. “Cães são mais expressivos e demonstram com mais facilidade que algo não está bem. Já os gatos são discretos, e qualquer alteração mínima na rotina deve ser encarada como sinal de alerta para buscar atendimento veterinário”, alerta.
Prevenção começa com vacinação
A principal medida preventiva é manter as vacinas em dia. A imunização contra a gripe e as vacinas múltiplas devem ser aplicadas anualmente. Outro cuidado é evitar correntes de ar frio e mudanças bruscas de temperatura, que favorecem o estresse térmico e a queda da imunidade.
Itens como roupinhas, cobertores e aquecedores podem ser grandes aliados, desde que utilizados corretamente. “É muito indicado, desde que o pet aceite e não se estresse. No caso dos aquecedores, é fundamental manter distância para evitar queimaduras. Em animais com doenças respiratórias, o ideal é associar o uso a umidificadores de ambiente”, orienta o especialista.
Quanto à suplementação, o veterinário reforça que não é necessária para animais saudáveis que já recebem ração super premium ou dieta natural balanceada. “A recomendação é apenas para casos específicos decorrentes de alguma doença”, explica.
Quando procurar atendimento
Mudanças de comportamento, perda de apetite e sinais de dor são motivos imediatos para levar o pet ao veterinário. Fioravanti ressalta que tratamentos caseiros não devem ser usados. “Na tentativa de ajudar com receitas, muitas vezes os sintomas são mascarados. Isso atrapalha o diagnóstico, a doença evolui e, quando o animal chega para atendimento, já está em um quadro avançado”, alerta.
Animais com doenças crônicas, como cardiopatias, problemas pulmonares, ortopédicos ou oculares, também necessitam de atenção redobrada. Nesses casos, o acompanhamento com check-ups anuais é essencial para eventuais ajustes no tratamento, já que o inverno favorece a queda de imunidade e o aparecimento de doenças oportunistas.
Quem sofre mais no frio
Algumas raças e faixas etárias são mais vulneráveis. Entre os cães, os braquicefálicos – como Shih-tzu, Pug, Bulldog e Spitz – têm predisposição para doenças respiratórias e oculares. Já no caso dos problemas ortopédicos, cães de porte grande, como rottweiler e pastor alemão, e raças predispostas a doenças de coluna, como o Dachshund, podem apresentar piora no inverno.
Outro ponto a ser considerado é o ambiente. Animais que vivem fora de casa precisam de abrigo adequado, como casinhas e canis cobertos, protegidos de correntes de ar frio e umidade. Tapetes emborrachados ou estrados também ajudam a reduzir a perda de calor. Já para os pets que vivem dentro de casa, roupas, cobertores e o uso de aquecedores e umidificadores garantem maior conforto.
Para o veterinário, a melhor forma de garantir saúde e bem-estar aos animais em qualquer época do ano é investir em alimentação de qualidade, manter exames de check-up em dia e respeitar o calendário de vacinação. “E, diante de qualquer sinal clínico anormal, não se deve demorar para buscar atendimento veterinário especializado”, conclui.



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