Itu registra casos de violência contra a mulher e contra criança

A cidade de Itu tem acompanhado nos últimos dias notícias muito tristes de violência contra a mulher, de casos de homicídio/feminicídio (tentativa e fato consumado), como também de tentativa de estupro de uma criança/vulnerável. Primeiro foi o caso de uma policial da cidade, morta com um tiro na cabeça dentro do carro, na capital de São Paulo, supostamente pelo seu companheiro, também policial, que teria tirado a própria vida em seguida. Em outro caso, no último domingo, um homem teria tirado a própria vida depois de atirar contra a mulher com quem, de acordo com informações do boletim de ocorrência, teria um relacionamento amoroso. O homem morreu e a mulher, até as últimas informações, teria sido encaminhada à Santa Casa para cuidados médicos, sem maiores detalhes de seu estado de saúde. Já no dia 21, um terceiro caso, de um homem que quase foi linchado após tentar estuprar uma menina de 8 anos. A menina estava dentro de casa quando a tentativa aconteceu, mas a criança conseguiu pedir ajuda e evitar a tragédia. Os vizinhos o seguraram e algumas pessoas o agrediram até que a polícia chegou ao local. O homem foi preso em flagrante por tentativa de estupro de vulnerável (quando a vítima é menor de 14 anos ou se trata de pessoa com deficiência).

Dados gerais – De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, em junho de 2022, foram registrados 8 feminicídios no interior do estado, dos 11 totais. Mais 15 mulheres foram mortas no interior, entrando nas estatísticas dos casos de homicídio (foram 20 no estado). De 21 tentativas de homicídio, 18 das mulheres que quase perderam a vida estavam no interior. E a lista de violências é grande. Em relação ao estupro de vulnerável consumado, foram 727 vítimas no estado, sendo 424 no interior. Já o estupro consumado com mulheres “mais velhas”, e não crianças, chegam ao número de 209 no estado, dos quais 119 estão no interior. Tudo isso fora as tentativas de estupro, as lesões corporais, ameças, entre outros crimes listados (https://www.ssp.sp.gov.br/Estatistica/ViolenciaMulher.aspx).

Em Itu, a ONG Não Posso Me Calar desempenha um papel muito importante com mulheres e crianças vítimas da violência. O projeto, que existe desde 2013, tornou-se oficial em 2018. Christiane Loschiavo Nery, responsável pela ONG, relatou que, em quatro anos (de 2018 a 2022) foram atendidas, em média, 300 mulheres (entre elas, meninas e idosas) e seus filhos. 

“Na verdade, não há uma regra específica, mas na sua maioria as mulheres que procuram apoio na ONG estão na faixa etária de 25 à 45 anos de idade, embora em muitos desses relatos, alegam sofrer de violências e abusos desde a infância e adolescência. O nosso público é diversificado, mas a maioria das mulheres que nos procuram são pardas e cursaram até, no máximo, o ensino médio e pertencem à classe baixa e média. Porém, a procura de mulheres de nível superior e de um poder aquisitivo alto tem aumentado dia após dia. Desses

atendimentos, geralmente essas mulheres são casadas, estão numa relação

estável ou namoram, e possuem de um à três filhos, que também assistem ou

sofrem algum tipo de violência dos agressores”, explica Christiane.

A violência física e psicológica despontam entre os casos atendidos pela ONG.

 “Elas decidem buscar ajuda quando estão feridas fisicamente ou com

medo das ameaças. Existem mulheres que não se permitem estar numa relação abusiva por muito tempo, porém, infelizmente, podemos constatar que há mulheres que permanecem por anos numa relação de abuso. Na ONG temos uma média de casos que perduram de dois até mais de 20 anos de sofrimento”, contou.

Entre as razões para não denunciar abuso, aparecem como motivo a vergonha, a preocupação com os filhos/família; julgamento das pessoas, dependência econômica/emocional, falta de um lugar para onde ir, medo de morrer ou ter que reviver a violência, baixa autoestima, e não conhecer os seus direitos, entre outros.

Mesmo assim, os números de atendimentos da ONG têm aumentado, em média, 60%. “O aumento da procura nos levou a ter uma fila de espera nos nossos atendimentos, motivo pelo qual, estamos abrindo espaço para novos voluntários, principalmente que atuem na área da psicologia”, destacou.

A ONG oferece às mulheres e seus filhos, um suporte emocional e social. “Na ONG Não Posso Me Calar a mulher é ouvida, acolhida e orientada. Após triagem, a mulher passa a ser nossa assistida e recebe o apoio psicológico, a orientação jurídica e na parte assistencial, auxiliamos as mulheres com a solidariedade das pessoas, através de doações, para que possamos de alguma forma diminuir o sofrimento delas”, disse.

Denúncias – É importantíssimo que casos de violência contra as mulheres/meninas sejam denunciados. É assim que se combate este tipo de violência na sociedade. Caso você sofra com isso dentro de sua casa, ou saiba de alguém que está nesta situação, denuncie. A denúncia pode ser feita de maneira anônima. Os canais são:

  * 180 – Central da Mulher;

  * 190 – Polícia Militar;

  * 153 – Guarda Civil Municipal;

  * Disque 100 – Direitos Humanos;

  * Delegacia de Defesa da Mulher ou qualquer outra Delegacia de Polícia;

  * CRAS ou o CREAS;

  * ONG NÃO POSSO ME CALAR

    Ligue: (11) 2429-0237 – Whatsapp: (11) 97198-6065

    E-mail: fale@naopossomecalar.org.br

    Instagram: @ongnpmc

    Facebook/projetonaopossomecalar

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