Os incêndios florestais seguem em ritmo alarmante em 2026. Entre janeiro e abril, mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram destruídos pelo fogo em diferentes regiões do planeta, segundo levantamento da Rede Mundial de Atribuição (World Weather Attribution – WWA). A área devastada equivale a todo o território do estado do Amazonas e representa um aumento de cerca de 50% em relação à média registrada entre 2012 e 2025.
Os pesquisadores alertam que o planeta pode enfrentar um dos anos mais severos para incêndios florestais, impulsionados principalmente pelas mudanças climáticas e, em menor escala, pela possível atuação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre.
A África concentra a maior parte da área atingida, com aproximadamente 85 milhões de hectares queimados, estabelecendo um novo recorde para o continente. Em seguida aparece a Ásia, onde cerca de 44 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo, com destaque para países como Índia, Tailândia, Mianmar, Laos e regiões da China.
Nas Américas, os Estados Unidos registraram uma temporada antecipada de incêndios, favorecida pelas ondas de calor e pela seca intensa. No Canadá, diversas províncias já emitiram alertas de evacuação devido ao avanço das chamas. No início do ano, Chile e Argentina também enfrentaram grandes incêndios, com milhares de pessoas desalojadas e perdas humanas.
No Brasil, os dados oficiais também indicam aumento das queimadas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os focos de incêndio cresceram na Amazônia, Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica nos primeiros meses do ano. Especialistas alertam que a situação pode se agravar entre outubro e novembro, período tradicionalmente mais crítico para incêndios em diversos biomas.
De acordo com cientistas da WWA, o possível fortalecimento do El Niño pode aumentar o risco de ondas de calor e estiagens em várias regiões do planeta. No entanto, os pesquisadores ressaltam que o principal fator responsável pelo agravamento dos incêndios continua sendo o aquecimento global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa.
Além dos impactos ambientais, os incêndios trazem consequências diretas para a saúde da população. A fumaça produzida pelas queimadas piora a qualidade do ar, aumenta os casos de doenças respiratórias e cardiovasculares e sobrecarrega os sistemas de saúde. Estudos também apontam prejuízos econômicos bilionários causados pelos incêndios em diversos países.
Especialistas defendem que acelerar a transição para fontes de energia limpa e reduzir as emissões de carbono são medidas essenciais para diminuir os riscos de eventos extremos nos próximos anos.



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