Avanço regional mostra a força das empreendedoras e reforça a importância de redes de apoio e qualificação para o desenvolvimento dos negócios.
O empreendedorismo feminino segue em expansão na Região Metropolitana de Sorocaba e também se reflete na realidade econômica de Itu. Dados do Portal do Empreendedor analisados pelo Sebrae-SP indicam que as mulheres já representam 45,8% dos microempreendedores individuais (MEIs) na região, evidenciando a crescente participação feminina na geração de renda e no desenvolvimento de pequenos negócios.
A região reúne cerca de 222 mil MEIs formalizados, sendo aproximadamente 101,7 mil liderados por mulheres. Esse cenário reforça que o empreendedorismo tem se consolidado como um caminho importante para a autonomia financeira feminina e para a dinamização da economia local.
Embora cidades como Alumínio, Votorantim e Capela do Alto apresentem os maiores percentuais de mulheres entre os empreendedores individuais, municípios como Itu também acompanham essa tendência de crescimento, com cada vez mais mulheres abrindo e consolidando seus próprios negócios.
Para o Sebrae-SP, o aumento da participação feminina no empreendedorismo demonstra uma transformação significativa no mercado de trabalho, mas também revela desafios que ainda precisam ser superados.
Segundo a analista de negócios do Sebrae-SP, Karen Ajala, muitas mulheres que empreendem enfrentam uma jornada marcada por múltiplas responsabilidades. “Empreender já exige coragem e preparo. Para muitas mulheres, esse caminho vem acompanhado da sobrecarga de responsabilidades familiares, da necessidade constante de qualificação e, em alguns casos, do preconceito em setores tradicionalmente masculinos”, afirma.
Apesar das dificuldades, o impacto do empreendedorismo feminino ultrapassa os indicadores econômicos. Além de movimentar a economia, mulheres empreendedoras se tornam referências em suas comunidades, gerando oportunidades e inspirando outras mulheres a iniciar seus próprios negócios.
“Quando uma mulher empreende, ela movimenta a economia, fortalece redes locais e amplia oportunidades ao seu redor. Cada negócio liderado por uma mulher representa também um avanço coletivo”, destaca Karen.
Redes de apoio e troca de experiências
Além de questões relacionadas ao acesso a crédito e capacitação, um desafio menos visível enfrentado por muitas empreendedoras é o isolamento profissional, especialmente quando o negócio é desenvolvido dentro de casa.
Para o gerente regional do Sebrae-SP, Alexandre Martins, a criação de redes de apoio e ambientes de troca é fundamental para o fortalecimento dos negócios liderados por mulheres.
“Muitas mulheres começam sozinhas, em casa, o que é um caminho legítimo. Mas, ao longo do tempo, a falta de convivência e de troca pode se tornar um limitador. Por isso, estimular conexões, grupos e espaços de networking é fundamental para o crescimento dos negócios”, afirma.
Uma das iniciativas voltadas a esse fortalecimento é o comitê Todos por Elas, criado em novembro de 2025 em Sorocaba. O grupo reúne diferentes organizações e movimentos que atuam no incentivo ao empreendedorismo feminino, promovendo integração, eventos e ações voltadas ao desenvolvimento profissional das mulheres.
A proposta é ampliar as conexões entre empreendedoras, facilitar o acesso a informações, capacitações e oportunidades de negócios.
Crescimento que transforma a economia local
O avanço do empreendedorismo feminino na região mostra que as mulheres têm assumido um papel cada vez mais relevante na economia local, liderando iniciativas que movimentam diversos setores, do comércio aos serviços.
Mesmo diante de desafios estruturais e sociais, o crescimento constante da participação feminina no empreendedorismo indica uma mudança de cenário e aponta para um futuro com mais diversidade, inovação e protagonismo feminino no ambiente de negócios.
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, os números reforçam que o empreendedorismo feminino não é apenas uma tendência, mas uma força consolidada na economia regional, com impacto direto na geração de renda, no desenvolvimento social e na construção de novas oportunidades para as próximas gerações.
Confira o número de MEIs por gênero e por cidade na tabela abaixo:





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