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Presença feminina no mercado de trabalho atinge maior nível desde 2012

Avanço histórico nos indicadores convive com desafios estruturais como a dupla jornada e a sub-representação em cargos estratégicos

Em 2025, a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro alcançou 48,1%, o maior índice registrado desde 2012, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa um avanço significativo na presença das mulheres na economia formal e acompanha outro dado relevante: 10,35 milhões de brasileiras estão à frente de negócios próprios no país.

O crescimento é reflexo de transformações sociais, maior acesso à educação e políticas públicas voltadas à equidade. Ainda assim, os avanços convivem com desafios persistentes, como a desigualdade na ocupação de cargos estratégicos, a sobrecarga da dupla jornada e a necessidade constante de validação profissional.

No varejo supermercadista, setor tradicionalmente dinâmico e competitivo, esse movimento pode ser observado na prática. Histórias de mulheres que ocupam funções estratégicas, operacionais e de gestão revelam que a presença feminina não apenas cresce, mas também influencia modelos de liderança e gestão.

Liderança que exige posicionamento

A trajetória de Amanda Fernandes, atual gerente comercial da Rede Bom Lugar, ilustra essa transformação. Ela iniciou sua carreira na recepção e, ao longo dos anos, assumiu novas responsabilidades até chegar a uma posição estratégica.

Segundo Amanda, embora a presença feminina seja comum em áreas administrativas, o mesmo nem sempre ocorre em funções decisórias. “Minha trajetória foi marcada por muito esforço e pela necessidade constante de demonstrar competência por meio de resultados. Conforme fui assumindo novos desafios, percebi resistências culturais, principalmente no relacionamento com fornecedores e prestadores de serviços”, afirma.

Para ela, critérios como preparo técnico, postura profissional e capacidade de gestão devem prevalecer sobre qualquer recorte de gênero. “Qualquer pessoa pode exercer uma função estratégica. O que deve ser avaliado é o profissional.”

Amanda também destaca que a diversidade amplia perspectivas e contribui para decisões mais consistentes. “Diferentes olhares tornam a gestão mais completa e estratégica.”

Operação e crescimento profissional

Na linha de frente da operação, Danielle Oliveira, encarregada do açougue de uma das unidades da rede em Sorocaba, representa outra dimensão desse avanço. Sua rotina começa antes da abertura da loja, com conferência de temperatura, organização do balcão, controle de estoque e supervisão da equipe.

“O maior desafio é lidar com a pressão dos horários de pico. O cliente busca agilidade, e precisamos equilibrar qualidade, estoque e atendimento”, explica.

Há seis anos na empresa, Danielle iniciou como balconista. Hoje, lidera equipe e administra processos. Para ela, o varejo oferece oportunidades concretas de crescimento. “Existe espaço para quem demonstra comprometimento e vontade de aprender.”

Ela também observa que a presença feminina nas áreas operacionais contribui para o atendimento. “Organização e empatia fazem diferença no relacionamento com o cliente.”

A realidade da dupla jornada

Apesar do avanço nos indicadores, a conciliação entre carreira e responsabilidades familiares segue sendo um dos principais desafios. Jaqueline Oliveira Pedroso, gestora de RH/DP em unidades da Rede Bom Lugar, vivencia essa realidade diariamente.

Mãe de dois filhos, ela divide o tempo entre a gestão profissional e a administração da rotina doméstica. “O maior desafio é administrar o cansaço físico e emocional. Buscamos desempenhar bem todos os papéis, e isso exige disciplina e equilíbrio”, relata.

Jaqueline aponta que, mesmo com mudanças culturais, grande parte da organização doméstica ainda recai sobre as mulheres. “Somos nós que lembramos das consultas, da rotina escolar, da logística da casa. É uma responsabilidade silenciosa.”

Para ela, o avanço sustentável da participação feminina depende também de ambientes corporativos saudáveis. “Não podemos naturalizar a exaustão como sinônimo de competência. Saúde mental e apoio institucional são fundamentais.”

Para além dos números

Os dados de 2025 evidenciam um marco histórico na presença feminina no mercado de trabalho. Entretanto, as experiências profissionais demonstram que a igualdade plena ainda exige transformações estruturais.

O aumento da participação feminina não representa apenas crescimento quantitativo, mas uma mudança qualitativa na forma de liderar, organizar equipes e conduzir negócios.

No contexto do Dia Internacional da Mulher, a reflexão ultrapassa a celebração simbólica e convida à análise crítica dos avanços conquistados e dos desafios que permanecem. A consolidação da igualdade depende não apenas de números positivos, mas de reconhecimento, respeito e oportunidades reais em todos os níveis hierárquicos.

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