Crescimento expressivo no setor é acompanhado pelo aumento de mulheres engenheiras e arquitetas em cargos técnicos e de liderança
A participação feminina na construção civil brasileira cresceu 120% nos últimos dez anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço reflete mudanças estruturais no mercado de trabalho e na formação técnica, ampliando a presença das mulheres em um setor historicamente associado ao público masculino.
Em 2025, o Sistema Confea/CREA, responsável pela regulamentação e fiscalização das profissões de engenharia no Brasil, registra cerca de 250 mil mulheres ativas em todo o país. Na arquitetura, o cenário também demonstra protagonismo feminino: aproximadamente 60% dos profissionais registrados no Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) são mulheres.
O crescimento se manifesta também em âmbito regional. Na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (AEAS), entidade voltada à valorização profissional de engenheiros, arquitetos e tecnólogos, o número de mulheres associadas saltou de 266, em 2024, para 493 em 2025 — aumento aproximado de 85,43%. O dado evidencia não apenas a ampliação da presença feminina, mas também a busca por posicionamento institucional e representatividade.
Protagonismo técnico e liderança consolidada
Para Sandra Lanças, arquiteta e urbanista, doutora pela FAUUSP e presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil – Núcleo Regional Sorocaba, a presença feminina na arquitetura não é recente, mas ganhou maior visibilidade nas últimas décadas.
“Grande parte dos estudantes e profissionais de Arquitetura e Urbanismo hoje são mulheres. Desde a minha formação já havia referências femininas importantes. A arquitetura exige preparo técnico, pensamento estratégico e capacitação constante”, afirma.
Segundo Sandra, a consolidação feminina em cargos de liderança ocorre de forma gradual e baseada em mérito. “O mercado busca qualidade e responsabilidade técnica. Conheço muitas arquitetas e engenheiras que lideram grandes projetos. A consolidação desse espaço vem com experiência, preparo e ética.”
Nova geração amplia representatividade
Para Ana Laura Floriano Galhardo, arquiteta e urbanista associada à AEAS, iniciar a carreira em um momento de crescimento feminino é simultaneamente inspirador e desafiador.

“A presença feminina está aumentando, mas ainda precisamos provar competência, especialmente em obras e negociações. Ao mesmo tempo, há mais representatividade e espaço de fala”, observa.
Ela destaca que muitas profissionais desenvolvem projetos com foco ampliado na experiência do usuário, acessibilidade e sustentabilidade. “Arquitetura vai além da estética. Sustentabilidade e inclusão são compromissos com a qualidade de vida.”
Para o futuro, a expectativa é de uma profissão cada vez mais tecnológica, colaborativa e sustentável. “O espaço das mulheres continuará se fortalecendo, com mais liderança e protagonismo”, avalia.
Engenharia mais diversa e estratégica
Na engenharia civil, o crescimento feminino acompanha transformações culturais e educacionais. Para Giselle Medeiros Seawright Balmiza, engenheira civil associada à AEAS, o avanço decorre da ampliação do acesso à formação e da visibilidade conquistada.
“A sociedade passou a compreender que engenharia é uma profissão técnica. Competência não tem gênero. Sempre tivemos capacidade, mas hoje temos mais espaço”, afirma.
Nos canteiros de obras, no entanto, a realidade ainda exige afirmação constante da autoridade técnica. “Muitas vezes, a engenheira precisa validar sua posição antes mesmo de iniciar o trabalho. O respeito deveria ser natural, mas ainda é construído na prática.”
Giselle acredita que a diversidade fortalece o setor. “Muitas mulheres trazem organização, visão sistêmica, atenção à segurança e à gestão de equipes. Uma engenharia mais humana não é menos técnica, é mais completa.”
Um avanço que transforma o setor
O crescimento de 120% na participação feminina na construção civil representa uma mudança estrutural. A ampliação da diversidade contribui para soluções mais inovadoras, sustentáveis e socialmente responsáveis.
No contexto do Dia Internacional da Mulher, os números não são apenas comemorativos, mas indicativos de transformação contínua. A consolidação desse avanço depende da manutenção de oportunidades, reconhecimento profissional e igualdade nas condições de liderança.
Mais do que ocupar espaço, as mulheres estão redefinindo a forma de planejar, projetar e construir.




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