O Ituano Futebol Clube deu um passo histórico em 19 de agosto de 2025 ao aprovar a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), durante assembleia extraordinária que contou com 74 dos 85 sócios ativos. Com 51 votos favoráveis e 23 contrários, a decisão estabelece um modelo híbrido: a Dimache Participações Esportivas, de Juninho Paulista e Paulo Silvestri, passa a deter 60% do futebol profissional, enquanto a associação mantém 40%, incluindo pelo menos 30% de capital votante e direito de veto em decisões estratégicas.
O presidente da assembleia, o advogado Rodrigo Tarossi, destacou a importância histórica da decisão: “Em primeiro lugar, digo que foi uma honra presidir aquela que talvez tenha sido a mais importante sessão extraordinária da história do Ituano Futebol Clube, marco de uma nova era. Sempre fui favorável à transformação em SAF, que, na verdade, é uma cisão, já que a Associação Ituano permanece existindo como acionista da Ituano SAF e pode exercer outras atividades além do futebol. Esse modelo é o mais adequado para atrair capital e garantir competitividade.”
Segundo ele, a maioria dos associados sempre reconheceu a necessidade da transformação do clube em SAF. “Agora, o desafio é transformar essa escolha em resultados que tragam estrutura, investimentos e orgulho à nossa torcida”, complementou.
O torcedor e conselheiro Dado Santoro também ressaltou a preservação da identidade do clube: “O tema da constituição da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no Ituano FC foi amplamente debatido ao longo dos últimos anos, com progressivo amadurecimento do projeto. Entendo que o Clube está pronto para dar um passo à frente, em consonância com a tendência de profissionalização do futebol brasileiro. A proposta preserva integralmente a identidade do Ituano FC — nome, símbolo (escudo) e a vinculação à cidade de Itu — cláusulas que não podem ser alteradas. Nas reuniões com os gestores, foi assegurado que o modelo contempla a entrada de parceiro estratégico, comprometido a aportar novos recursos ao futebol, já contando, ademais, com o apoio da Prefeitura, que dispõe de projetos de cooperação no esporte.”
Para o advogado e presidente do Ituano, João Paulo Ruiz, a criação da SAF representa a adoção de um modelo moderno e profissional de gestão. “É sabido que, em muitas experiências, a SAF surge como instrumento de reestruturação para clubes com elevado passivo. Não é o caso do Ituano FC. O Clube encontra-se hoje financeiramente saudável, resultado de anos de gestão responsável conduzida pela Dimache, e em parceria com o nosso Clube, o que cria condições para que a SAF seja concebida primordialmente como plataforma de crescimento — concentrando atenções e recursos em infraestrutura, formação e competitividade do elenco.”
Ruiz reforçou que o formato aprovado preserva integralmente a identidade histórica: “Desse modo, assegura-se que a modernização do modelo de gestão caminhe lado a lado com o respeito à trajetória e aos símbolos que distinguem o Clube. O modelo final, alcançado na noite de 19 de agosto de 2025, só foi possível após debate maduro e qualificado, que permitiu aperfeiçoar a versão inicial e incorporar sugestões relevantes. Foram, assim, quase três anos e meio de análise, estudos e discussões até se chegar à aprovação da SAF no nosso Clube.”
Juninho Paulista, desde 2009 à frente da gestão do futebol do Ituano, consolidou a estabilidade esportiva e financeira do clube, conquistando dois Campeonatos Paulistas (2014 e 2021). Ele também articulou a estrutura da nova empresa, trouxe investidores parceiros e desenhou o modelo de governança. A SAF do Ituano nasce, portanto, diretamente ligada à sua visão de futuro. Procurado pela reportagem do Jornal Agora Itu, Juninho informou, por meio da assessoria de imprensa, que a gestão só vai se manifestar após a conclusão dos trâmites burocráticos relacionados à reunião do dia 19.
A SAF permite que o futebol profissional siga sob o mesmo comando, enquanto a sede social e o estádio Novelli Júnior permanecem sob responsabilidade da associação e da Prefeitura. A expectativa é que os recursos captados sejam aplicados em crescimento esportivo, infraestrutura, categorias de base e integração com a comunidade, mantendo a proximidade com torcedores.



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