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De novo, as mesmas desculpas: Juninho Paulista fala, mas não responde quando o Ituano voltará a ser competitivo

Gestor do Ituano SAF volta a apontar dificuldades financeiras, mas deixa sem respostas as principais dúvidas de uma torcida cansada de derrotas, queda de rendimento e temporadas frustrantes

Juninho Paulista, gestor do Ituano SAF, concedeu coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10) para falar sobre o atual momento do Galo. Mas quem esperava respostas objetivas sobre o futuro do clube terminou a entrevista praticamente com as mesmas dúvidas que tinha antes dela começar.

Mais uma vez, as dificuldades financeiras estiveram entre as justificativas apresentadas para explicar o cenário enfrentado pelo Ituano. O que faltou, porém, foram respostas mais convincentes sobre aquilo que realmente interessa ao torcedor: qual é o planejamento para tornar o time competitivo novamente e quando isso efetivamente acontecerá?

A sensação de repetição incomoda ainda mais porque a crise de desempenho não é novidade. Ao longo dos últimos anos, inclusive antes da transição para SAF, o torcedor ituano vem perdendo motivos para frequentar o estádio e acreditar no time. Temporada após temporada, o clube acumula derrotas frustrantes, campanhas decepcionantes e resultados muito distantes daqueles que um dia fizeram do Ituano motivo de orgulho para a cidade.

E existe uma questão ainda mais incômoda para a atual gestão: o que efetivamente melhorou dentro de campo depois que o Ituano virou SAF?

A mudança de modelo naturalmente criou a expectativa de profissionalização, planejamento, investimentos e maior capacidade de competição. Entretanto, olhando exclusivamente para o desempenho esportivo, é difícil para o torcedor identificar essa evolução. Muito pelo contrário. A percepção deixada pelos últimos campeonatos é de um clube que perde competitividade a cada nova disputa e começa as temporadas com expectativas cada vez menores.

Para o ano de 2027, o Ituano disputará o Campeonato Paulista Série A2 e o Campeonato Brasileiro Série C, entretanto, até o momento, ainda não possui um treinador para o time, após a saída do então técnico Mazola Júnior. Durante a coletiva, o gestor falou sobre o novo técnico.

“Em relação ao treinador ainda não sabemos: temos duas opções, uma é dar chance aos treinadores que estão aqui, porque ano que vem teremos um elenco com jogadores jovens, atletas subindo da base, ou então precisaremos trazer um treinador que tenha esse perfil”.

Outro assunto comentado na coletiva foi a venda do do atacante Gabriel Martinelli do Arsenal para o Al-Hilal. “Estamos em conversa com o Arsenal para sabermos todos os detalhes e também quando será esse repasse”. Além disso, o gestor destacou que ainda não há um valor exato que o clube receberá por essa venda, ressaltando também que o Ituano não receberá o valor em uma única vez e sim em quatro anos.


Já em relação à situação financeira do clube, Juninho Paulista destacou que hoje o Ituano não é um clube autossustentável e que sempre precisam de recursos extras, além do que recebem de televisão e patrocínios. “Esses recursos extras são justamente para mantermos a estrutura que temos hoje”, enfatizou.

É justamente por isso que simplesmente voltar a falar em dificuldades financeiras já não parece suficiente. Se o dinheiro é um problema recorrente, cabe à gestão explicar qual é o plano para enfrentá-lo. Se os recursos são limitados, é preciso mostrar como o Ituano pretende ser competitivo mesmo dentro dessa realidade. E, principalmente, depois de sucessivos resultados negativos, é legítimo cobrar de quem comanda o futebol uma resposta sobre sua própria responsabilidade nesse processo.

SAF não pode significar apenas uma mudança no modelo societário. Para o torcedor, ela precisa produzir resultado, perspectiva e evolução. E é exatamente isso que, até agora, continua difícil de enxergar dentro das quatro linhas.

Enquanto as explicações se repetem, o estádio perde público, o entusiasmo diminui e a distância entre o Ituano e sua própria torcida parece aumentar.

A coletiva terminou, mas a pergunta mais importante ficou novamente sem uma resposta convincente:

Juninho, quando o Ituano voltará a ser um time que sua torcida tenha prazer e orgulho de assistir?

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