A mostra “Tarsila: Onde Nascem as Imagens” apresenta, a partir de 26 de setembro no Museu FAMA (Itu), um recorte com cerca de 45 estudos realizados por Tarsila do Amaral (1886 – 1973) e que abrangem várias fases da artista entre os anos de 1910 e 1940. Grande nome representante do modernismo e uma das artistas brasileiras mais importantes da história, Tarsila é revelada nesta mostra, não apenas como pintora, mas como grande desenhista que foi. A raríssima coleção é composta por 204 trabalhos da artista e pertence ao fundador do Museu FAMA e curador desta exposição, Marcos Amaro.
Marcos Amaro explica que a escolha das obras para essa mostra teve como premissa exibir uma variedade temática, assim como a riqueza das investigações visuais e a integridade de cada obra. “Os desenhos não aparecem apenas como estudos preparatórios para pinturas futuras, mas como trabalhos dotados de autonomia, capazes de expressar processos de observação, reflexão e invenção. Cada um deles possui significado próprio e contribui para a compreensão da extraordinária complexidade do universo criativo de Tarsila”, pontua.
Entre os destaques da mostra, o único autorretrato feito por Tarsila, de 1923, e o estudo da obra “Cuca” cuja tela é parte do acervo do Musée de Grénoble, na França, uma das obras mais emblemáticas e representativas do Brasil. Nesta obra, que integra o ciclo antropofágico da artista na qual defendia a ideia de ‘devorar’ qualquer influência europeia nas criações brasileiras e exaltar o que era autêntico do país, a artista subverte a personagem folclórica Cuca, historicamente descrita como uma bruxa, em um ser colorido, lúdico e divertido. Nesta tela, outros animais como uma lagarta, um sapo e um pássaro, além da floresta, evocam a exuberância da fauna e flora do país.
A diversidade dos temas presentes no conjunto exposto, mostra, também, o caráter profundamente curioso e investigativo de sua personalidade artística. Paisagens, figuras humanas, estudos arquitetônicos, cenas do cotidiano, composições imaginárias e projetos ligados ao universo teatral convivem lado a lado. Entre os trabalhos mais reveladores destacam-se os desenhos de personagens concebidos para estudos de uma peça de teatro, desejo de Tarsila e de Oswald de Andrade, mas que nunca saíram do papel. Neles, percebe-se a capacidade da artista de criar tipos, gestos e expressões por meio de uma síntese gráfica extremamente inventiva. Esses desenhos mostram uma autora interessada em múltiplas linguagens e capaz de expandir sua pesquisa para além dos limites da pintura.
Os desenhos já foram exibidos em uma mostra no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, em 1969. Depois desta exibição, conta Marcos Amaro, “um colecionador os manteve guardado em uma gaveta por anos, sem mesmo deixar que sua esposa os visse e não permitiu, igualmente, que compusessem o catálogo raisonné da artista.” E completa: “O grande mérito da exposição está em demonstrar que o desenho não ocupa uma posição secundária na trajetória de Tarsila. É nele que se encontram as origens de sua capacidade inventiva. É por meio deles que a artista observa, registra, analisa, imagina e transforma. A exposição evidencia que, antes das grandes pinturas que marcaram a história da arte brasileira, existiu o desenho — lugar de pesquisa, imaginação, descoberta e liberdade, onde efetivamente nasciam as imagens”, finaliza Marcos Amaro.
Este projeto foi realizado com recursos do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.



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