Um Jornal comprometido com você!

Notícias de última hora, com uma leitura simples e otimizada para sua melhor informação.

Maio Laranja acende alerta e reforça a proteção da infância

Campanha mobiliza instituições, especialistas e redes de apoio para enfrentar o abuso e a exploração sexual infantil, fortalecer a prevenção e ampliar o olhar da sociedade sobre sinais muitas vezes silenciosos.

Uma flor simples, de pétalas abertas e cor vibrante, tornou-se um dos símbolos mais sensíveis de uma causa urgente. A gérbera laranja, escolhida para representar a campanha Maio Laranja, carrega em sua essência a delicadeza, a fragilidade e a necessidade de cuidado que envolvem a infância. Mais do que um elemento visual, ela simboliza a responsabilidade coletiva de proteger crianças e adolescentes de qualquer forma de violência, especialmente do abuso e da exploração sexual.

Ao longo do mês de maio, escolas, instituições, órgãos públicos e entidades promovem ações de conscientização para reforçar uma mensagem que precisa ecoar continuamente que proteger a infância é um compromisso de todos. A campanha busca romper o silêncio, ampliar a informação e incentivar o olhar atento da sociedade para sinais que muitas vezes permanecem invisíveis. O objetivo é fortalecer a prevenção, o acolhimento e a denúncia, criando uma rede de proteção capaz de interromper ciclos de violência.

O ponto central dessa mobilização acontece no dia 18 de maio, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Instituída pela Lei Federal nº 9.970/2000, a data é lembrada em todo o país por meio de caminhadas, palestras, campanhas educativas, iluminação de prédios públicos e ações que convidam a população a refletir sobre a importância da proteção integral das crianças e adolescentes.

O dia faz referência ao caso de Araceli Cabrera Crespo, menina de apenas oito anos que foi sequestrada e assassinada em 18 de maio de 1973, em Vitória, no Espírito Santo. O crime, que chocou o Brasil e permaneceu sem punição, transformou-se em símbolo nacional da luta pelos direitos das crianças e adolescentes. Décadas depois, sua memória segue lembrando o país de que o silêncio nunca pode ser maior que a proteção.

Instituto Tecendo Infâncias fortalece rede de proteção contra a violência infantil

Embora o tema ganhe maior visibilidade ao longo do mês de maio, a pauta precisa ser lembrada durante todo o ano. Muitos casos de violência ainda acontecem de forma silenciosa, dentro de ambientes marcados por relações de confiança e vulnerabilidade. Quando a sociedade evita falar sobre o assunto, a prevenção se enfraquece, sinais deixam de ser percebidos e o acolhimento às vítimas torna-se ainda mais difícil.

É justamente para fortalecer essa rede de proteção que o Instituto Tecendo Infâncias atua, apoiando iniciativas, promovendo conscientização e incentivando ações integradas entre famílias, escolas, saúde, assistência social, organizações sociais e comunidade. A

instituição acredita que, quanto mais preparada estiver essa rede, maiores serão as chances de proteger crianças e interromper ciclos de violência.

“Para nós, a infância é a base para toda a vida. É nesse período que a criança desenvolve confiança, segurança emocional, aprendizado e a forma como se relaciona com o mundo”, ressalta a diretora executiva Adriane Menna Barreto. Ela destaca que crianças que crescem em ambientes seguros, acolhedores e afetivos têm mais oportunidades de se desenvolver de forma saudável. “Já situações de violência, abandono e insegurança podem gerar impactos profundos e duradouros. “Por isso, defendemos o fortalecimento das famílias, das redes de apoio e de políticas públicas que garantam proteção e oportunidades desde os primeiros anos de vida”, complementa.

Para ampliar esse trabalho, o Instituto Tecendo Infâncias apoia e fortalece projetos voltados ao desenvolvimento saudável na primeira infância, sempre com foco na prevenção das violências e na garantia de direitos. Entre as iniciativas apoiadas está o painel “Inspire”, da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, iniciativa que reuniu estratégias e informações para fortalecer ações preventivas e ampliar a proteção em todo o país.

“Além do apoio financeiro, também contribuímos com mobilização social, articulação entre diferentes setores e capacitação de profissionais e organizações para que estejam preparados para identificar sinais de violência e acolher crianças e famílias de forma responsável”, explica.

Enquanto isso, Adriane reforça um ponto essencial de que proteger uma criança nunca deve ser responsabilidade de uma única pessoa. Quando escolas, serviços de saúde, assistência social, organizações e comunidade trabalham de forma integrada, torna-se possível identificar problemas mais cedo, oferecer respostas mais rápidas e construir caminhos mais efetivos. Nesse contexto, o Instituto Tecendo Infâncias atua como articulador de iniciativas que conectam diferentes atores em defesa da infância, fortalecendo projetos, ampliando conhecimento e potencializando ações de proteção infantil.

Sinais

Muitas vezes, a violência não deixa marcas visíveis. Em diversos casos, os sinais surgem de forma silenciosa e aparecem no comportamento da criança. Por isso, Adriane indica observar mudanças bruscas de humor, medo excessivo, isolamento, agressividade, tristeza constante, dificuldades na escola, alterações no sono ou na alimentação e resistência em permanecer perto de determinadas pessoas podem representar importantes sinais de alerta.

“Também é importante observar situações de abandono e falta de cuidados básicos. O Tecendo Infâncias reforça a importância de que adultos, escolas e instituições estejam atentos, saibam escutar e ajam com responsabilidade diante de qualquer suspeita”, afirma a diretora executiva que enaltece ainda o direito da criança de crescer em ambientes seguros, com afeto, respeito e proteção. “Neste Maio Laranja, o Tecendo

Infâncias reforça seu compromisso com a construção de uma sociedade mais consciente, acolhedora e preparada para proteger a infância. Cuidar das crianças é uma responsabilidade coletiva e um compromisso com o futuro de todos nós”, finaliza.

Exploração sexual infantil migra para o ambiente digital; psiquiatra alerta para sinais silenciosos

Aliciamento e a exploração sexual de crianças e adolescentes têm migrado para jogos online, redes sociais e aplicativos, muitas vezes de forma silenciosa e dentro do ambiente doméstico.

No imaginário de muitos pais, os perigos aos quais os filhos estão expostos ainda estão associados à rua, ao desconhecido ou ao contato físico direto. Mas, hoje, grande parte do aliciamento e da exploração sexual de crianças e adolescentes acontece dentro de casa, por meio de celulares, jogos online e redes sociais.

O tema ganha destaque em maio, mês da campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual infantil. E os números recentes mostram que a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia já se tornou um problema de grandes proporções no Brasil.

Um relatório divulgado pelo UNICEF em parceria com a ECPAT International e a Interpol revelou que uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos sofreu algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia em apenas um ano. Isso representa cerca de três milhões de vítimas no país.

Segundo o estudo, redes sociais, plataformas de mensagens, chats e jogos online, como o Roblox, aparecem entre os principais ambientes utilizados por criminosos para aliciamento, manipulação emocional e compartilhamento de conteúdos de exploração sexual.

“Hoje, muitos abusadores não precisam mais se aproximar fisicamente da criança. Eles constroem vínculos emocionais pela internet, ganham confiança aos poucos e usam carência afetiva, solidão e necessidade de pertencimento como portas de entrada”, diz a psiquiatra Danielle Admoni, especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e supervisora na residência de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM).

Esse processo de aliciamento também é conhecido como “grooming” e acontece de forma gradual. Criminosos frequentemente fingem ter idade próxima à da vítima e até compartilhar dos mesmos problemas e preocupações da criança. Oferecem acolhimento, atenção e presentes digitais, como moedas de jogos ou plataformas digitais e, aos poucos, passam a solicitar fotos, vídeos íntimos, dados de cartão de crédito dos pais ou até encontros presenciais.

O problema é que, muitas vezes, essa abordagem não é percebida pelas famílias.

“Muitos responsáveis monitoram apenas o tempo de tela, mas deixam de observar o conteúdo consumido e as relações que crianças e adolescentes constroem online”, afirma Danielle Admoni.

Entre os sinais de alerta que podem indicar que algo errado está acontecendo estão: mudança brusca de comportamento; isolamento repentino; uso excessivo e secreto do celular; ansiedade após mensagens; medo de mostrar conversas; presentes inexplicáveis em jogos online; sexualização precoce; e contato frequente com desconhecidos.

Outro dado que preocupa é o silêncio das vítimas. Segundo o levantamento do UNICEF, 34% das crianças e adolescentes que sofreram violência sexual facilitada pela tecnologia não contaram o ocorrido para ninguém.

Além dos impactos imediatos, especialistas alertam para consequências emocionais de longo prazo, como ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, dificuldade de relacionamento e risco aumentado de automutilação e ideação suicida.

A SaferNet Brasil também vem registrando crescimento nas denúncias relacionadas à exploração sexual infantil online. Em 2025, 64% das denúncias recebidas pela entidade envolviam abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet.

Para combater esse problema, o caminho passa menos pela vigilância extrema e mais pela construção de diálogo e confiança. “A criança precisa sentir que pode pedir ajuda sem medo de punição ou julgamento. O silêncio ainda é um dos maiores aliados desse tipo de violência”, diz Danielle Admoni.

Dentre as formas de aumentar a proteção está ações como: conversar regularmente sobre segurança digital; ensinar que segredos online não devem existir; acompanhar jogos, aplicativos e redes utilizados; orientar sobre envio de fotos e dados pessoais; ecriar ambiente seguro para que a criança relate situações desconfortáveis.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Jornal Agora Itu

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading