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Ação artística de Raquel Fayad, sobre feminicídio e violência de gêneroacontece amanhã no Estúdio Extraordinário, em Itu/ 

Em Itu, cidade do interior paulista marcada por forte tradição histórica e cultural, os casos recentes de feminicídio e tentativas de feminicídio evidenciam que a violência contra a mulher não é um problema apenas dos grandes centros, ela atravessa o interior paulista e todo o Brasil. Os registros policiais e coberturas regionais em Itu mostram um padrão que se repete nacionalmente: relações íntimas marcadas por histórico de agressão, mulheres com medidas protetivas já concedidas e falhas estruturais na efetivação da rede de proteção, que dificultam a punição imediata e efetiva.

Organizações locais, como a ONG Não Posso Me Calar (Itu) e outras no Brasil, como a ONG Serenas, têm atuado na escuta, acolhimento e orientação de mulheres em situação de violência, revelando que o enfrentamento exige articulação entre poder público e a sociedade civil.

É nesse contexto que surge a Ação Artística “Mulheres do Brasil – O que em você não pode calar”, idealizado pela artista multimídia Raquel Fayad.

Neste projeto, a artista transforma dados e narrativas sobre violência de gênero em ação artística num campo sensível onde ética e estética se atravessam e se experimentam coletivamente. Ao convidar o público a estar presente nas ações, cria deslocamentos sutis de percepção, questiona estruturas de poder, expondo tensões sociais ao transformar o silêncio em presença e o privado em experiência pública.

Confira a programação:

Das 10h às 20h – ONG Não posso me calar
Coleta de depoimentos anônimos, realizada pela ONG Não Posso me calar
Apresentação de vídeo sobre o trabalho realizado pela ONG Não Posso me Calar de Itu

Das 10h às 20h – Feira de Artesanato e gastronomia
A Feira terá a participação de mulheres do artesanato e da gastronomia – apoio do Programa de Fomento à Economia Criativa e Circular das Secretarias de Cultura e Patrimônio de Itu.

Das 10h às 20h – Índices da violência! Instalação artística de Raquel Fayad
Instalação de arte, no Projeto Varandinha do Estúdio Extraordinário, com informações sobre os números de casos de feminicídio em Itu, Estado de São Paulo e Brasil. Estes dados serão atualizados dia a dia.

Das 10 às 20h – Em memória – Instalação na grade do projeto Fronteira
Instalação de fitas brancas inscritas com os nomes de mulheres que sofreram violência de gênero ou foram vítimas de feminicídio. Cada fita carrega um nome e sua história .
Fitas e canetas estarão disponíveis para quem desejar participar, escrever, lembrar e homenagear. A obra se constrói no gesto de cada pessoa que decide inscrever um nome, e permanece aberta, em processo, como memória coletiva que se recusa a desaparecer.

Das 10 às 20h – Lambe Lambe com a frase – O que em você não pode calar?
Na cor vermelha, instalado no container 1 do Estúdio Extraordinário.
A frase O que em você não pode calar? opera como intervenção direta no campo simbólico. A pergunta não oferece resposta pronta. Ela questiona. Em diálogo com estratégias textuais de artistas como Jenny Holzer e Barbara Kruger, a palavra deixa de ser explicação e assume a função de confronto.
Das 10h às 15h — DIGA NÃO
Arte Mural e Sessão Fotográfica com Gessica Morais
Convidamos o público a participar da construção de um mural coletivo de arte. As pessoas que desejarem integrar a ação serão fotografadas por Gessica Morais, realizando o gesto do “Diga Não”, um posicionamento simbólico contra a violência de gênero.
As imagens serão impressas no local e coladas na parede, formando, ao longo do dia, um grande painel de vozes visuais. Um mural que cresce a cada participação, transformando gesto em imagem e em presença pública.

Das 10 às 15h – Pintura Coletiva da Instalação – Em homenagem à Elas! / Pintura Mural – Por que nos calamos?
Baldes de tinta vermelha e rolos de pintura estarão disponíveis para a ação. Todas as mulheres que desejarem poderão pintar um trecho do chão em homenagem a uma mulher que sofreu violência.
Aos poucos, o chão será tomado pelo vermelho, como um rio. Um gesto coletivo de memória e presença. Não é apenas tinta: é um ato de amor e denúncia. Um grito silencioso que se espalha pela cidade. Um chamado à consciência por meio da cor, daquilo que atravessa o olhar, fere o coração e alcança a alma.
O rio de sangue sairá da Pintura Mural – Por que nos calamos? de Raquel Fayad que será realizada no projeto Fachada do Estúdio Extraordinário.

Das 15h às 17h -CORTEJO – Mulheres do Brasil – Arte Pública e Ativista
Todas as mulheres que quiserem participar devem vir com roupa ou camiseta branca e trazer um par de sapatos brancos ou pintados de banco. Haverá um cortejo e depois os sapatos serão pregados na fachada 2 em frente ao EE. Esta performance foi realizada pela primeira vez pela artista mexicana Elina Chauvet, como resposta à onda de feminicídios e desaparecimentos de mulheres no México e América Latina, pelo simples fato de serem mulheres.

17h – Diálogos do Extraordinário – Roda sobre o assunto Feminicídio e Violência de Gênero em Itu – com convidadas que trabalham na defesa do tema.
Participação e presença de advogadas, delegadas, conselho da mulher, psicólogas, artistas, conselheiras de coletivos femininos. Acompanhe quem participará, no instagram do Estúdio Extraordinário, a partir do dia 24 de março.

19h – Apresentação de Vídeos-arte de artistas mulheres no projeto Container do Estúdio Extraordinário – Lugares Improváveis.
Obs- Os vídeos-arte ficarão dispostos em QR CODES instalados no percurso da calçada do Estúdio Extraordinário.

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