No mês do Dia Internacional da Mulher, histórias de liderança, superação e impacto revelam o protagonismo feminino que transforma a cidade em diferentes áreas
Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é mais do que uma data simbólica no calendário. Ele representa a luta histórica por direitos, igualdade de oportunidades e reconhecimento do papel fundamental das mulheres na construção da sociedade. Ao longo das últimas décadas, avanços importantes foram conquistados, mas os desafios ainda são muitos.
No Brasil, as mulheres representam mais de 51% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elas também são maioria entre as pessoas com ensino superior completo. Ainda assim, no mercado de trabalho, a desigualdade persiste: dados recentes indicam que as mulheres recebem, em média, cerca de 20% menos que os homens em funções semelhantes e ainda ocupam uma parcela menor dos cargos de liderança nas empresas e instituições.
No cenário global, a realidade não é muito diferente. Levantamento da ONU Mulheres aponta que as mulheres ocupam aproximadamente 28% das posições de liderança no mundo, número que cresce lentamente ao longo dos anos, refletindo avanços importantes, mas também evidenciando o longo caminho que ainda precisa ser percorrido em busca da equidade.
Apesar dessas barreiras, histórias de protagonismo feminino surgem diariamente, transformando realidades e inspirando novas gerações. Mulheres que lideram empresas, educam, protegem, pesquisam, criam, empreendem e deixam marcas profundas nas comunidades onde atuam.
Em Itu, essa força também se faz presente. A cidade é palco da atuação de mulheres que, em diferentes áreas, contribuem de forma significativa para o desenvolvimento social, econômico, cultural e humano da comunidade.
Nesta edição especial, o Jornal Agora Itu apresenta histórias de mulheres que ajudam a construir a cidade todos os dias. Trajetórias que refletem talento, determinação e propósito, e que mostram como o protagonismo feminino segue abrindo caminhos e inspirando o futuro.
Fafá: afeto, coragem e comida de verdade no coração histórico de Itu
No Centro Histórico de Itu, em um imóvel que faz parte da memória arquitetônica da cidade, nasceu um restaurante que carrega mais do que receitas. Carrega histórias, afeto e a trajetória de duas mulheres que construíram sua caminhada empreendedora com dedicação e coragem. À frente do restaurante Lá na Fafá estão as sócias Fabíola Vieira Macedo de Souza e Maria de Fátima Baranda Mello, conhecida carinhosamente como Fafá, que transformaram a paixão pela gastronomia em um espaço de acolhimento e memória afetiva.


O início da nova casa aconteceu de forma quase intuitiva. Assim que conheceram o espaço, a decisão veio rapidamente. “Assim que nos ofereceram e conhecemos o espaço, foi amor à primeira vista. Tratava-se de um lugar lindo, localizado no Centro Histórico de Itu, muito parecido com o nosso outro restaurante, inserido no FAMA Museu. Ambos os prédios são tombados, fazendo parte da história e da identidade cultural da cidade”, conta Fafá.
A escolha do nome também surgiu de forma espontânea, construída a partir da relação próxima com os clientes que acompanham o trabalho das empreendedoras há anos. “Quanto ao nome, foi praticamente escolhido pelos nossos queridos clientes, que já usavam a expressão ‘Vamos lá na Fafá’ ao mencionar a Cozinha São Pedro. Por coincidência ou não, o nome da minha sócia é Fabíola e o meu é Fátima, formando naturalmente, por obra do destino, Fafá”, explica.
Mesmo já conquistando o público da cidade, a empresária afirma que o restaurante ainda vive uma fase de ajustes e escuta constante dos clientes. “Ainda estamos na fase ‘test drive’, por assim dizer, ouvindo a opinião dos clientes, entendendo as preferências e buscando um resultado de excelência para o público de Itu e região. Nosso maior trunfo é saber ouvir e fazer acontecer”, afirma.
Ao longo da trajetória no empreendedorismo gastronômico, desafios também fizeram parte da caminhada, especialmente em momentos difíceis como o período da pandemia. “Ponderando sobre os últimos anos, acredito que o maior desafio foi atravessar a pandemia sem dispensar nenhum colaborador. Isso ficou muito marcado para mim”, ressalta.
A filosofia do restaurante está profundamente conectada às memórias afetivas da comida caseira, aquela que remete à infância, à família e aos sabores da casa. “Empreender nos faz enfrentar desafios diários. Planejar cada detalhe, pensar nos clientes e principalmente nas suas memórias afetivas. O feijãozinho caseiro da mãe, o frango com quiabo da avó, o bolo de fubá da tia. Enfim, carinho, aconchego e cuidado para todos”, diz.
Essa proposta também se reflete na escolha dos ingredientes e na forma de preparo dos pratos. “Nossa identidade foi baseada no conceito de usar nos restaurantes materiais e ingredientes que eu mesma uso em casa. Saborizantes ou pozinhos de qualquer espécie não entram na nossa cozinha. Servimos comida de verdade”, afirma Fafá.
No dia a dia do restaurante, a gastronomia se transforma em experiência e conexão entre as pessoas. “Aqui, a mágica acontece todos os dias, transformando expectativas e receitas em memórias inesquecíveis”, destaca.
Para quem deseja empreender, especialmente outras mulheres, a empresária deixa uma mensagem direta que resume a filosofia que carrega na vida. “Se pudesse dar um conselho, não apenas para mulheres empreendedoras, mas a todas as mulheres que estão lendo essa matéria, seria para não desistir. Para mim, coragem é a palavra de ordem. Coragem, meninas, acima de tudo”, afirma.
“Eu sempre digo que a vida é um eterno ‘try again, again, again’. Levo isso para a minha vida”, acrescenta.
Depois de mais de três décadas vivendo em Itu, o sentimento é de gratidão e orgulho pelo caminho percorrido. “Depois de 34 anos em Itu, sinto muito orgulho da minha trajetória. Não foi fácil. Afinal, nunca é. Fui desafiada pela vida, enfrentei, conquistei e hoje tenho certeza de que plantei algo de bom em solo ituano”, conclui Fafá.
Entre receitas, histórias e memórias, Fabíola e Fafá seguem construindo, todos os dias, um espaço onde a gastronomia encontra o afeto e onde a tradição ganha novos capítulos no coração da cidade.
Dra. Márcia Pereira Cruz: três décadas dedicadas à segurança e à justiça em Itu
Com mais de três décadas de atuação na Polícia Civil, a delegada titular de Itu, Dra. Márcia Pereira Cruz, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a justiça, pela defesa das vítimas e pela dedicação ao serviço público. Sua história na instituição começou em 1989 e, desde então, a carreira tem sido guiada por um propósito claro: proteger a sociedade e combater a violência.


“Eu sou plenamente realizada com minha escolha em me tornar Delegada de Polícia. Entrei na Polícia em 1989 e, após realizar o Curso de Formação Técnico-Profissional da Academia de Polícia, tive a honra e o prazer de inaugurar a Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher em Jaú”, relembra. Foi justamente nesse primeiro posto que iniciou sua atuação no combate à violência contra a mulher, uma pauta que marcaria profundamente sua trajetória profissional.
Posteriormente transferida para Itu, Dra. Márcia permaneceu à frente da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade, onde acumulou experiências, desafios e conquistas. “Tive muitas alegrias e realizações combatendo a violência doméstica, uma pauta muito importante”, afirma. A escolha pela carreira também carrega uma inspiração familiar. “Com certeza minha grande motivação foi meu pai, que também era Delegado de Polícia, do qual tenho muito orgulho”, destaca.
Ao longo da carreira, conciliar a intensa rotina profissional com a vida familiar foi um dos maiores desafios. Mãe de três filhos, ela lembra esse período com satisfação e orgulho. “Meu principal desafio foi conciliar minha carreira na Polícia Civil com a maternidade. Tenho três filhos, hoje todos criados e excelentes seres humanos, que me dão muito orgulho. Acho que fiz um bom trabalho”, afirma.
Quando fala sobre momentos marcantes na profissão, Dra. Márcia afirma que são muitos, fruto de uma trajetória construída com dedicação e paixão pelo trabalho. “Sou apaixonada pelo que faço e, quando tenho resultados positivos, me sinto realizada e feliz, exatamente como me sentia há 36 anos, quando entrei na Polícia”, ressalta. Entre os casos que mais a impactam, ela destaca aqueles que envolvem crianças. “O que de fato me marca são os casos que envolvem crianças”, diz.
Ao ingressar na Polícia Civil, a presença feminina na instituição ainda era bastante limitada. Mesmo assim, ela afirma que construiu seu espaço com naturalidade. “Quando entrei na Polícia, nós mulheres éramos poucas, mas não posso dizer que sofri preconceitos, pelo menos não de forma explícita. Hoje somos em número maior e podemos observar diversas mulheres ocupando postos de comando. Evoluímos muito, assim como a sociedade como um todo”, destaca.
Para a delegada, o trabalho da Polícia Civil é essencial para o funcionamento do sistema de justiça e para a garantia da segurança pública. “O papel da Polícia Civil é fundamental para que a justiça aconteça em sua plenitude, já que cabe à instituição a investigação dos crimes e a coleta de provas para que o Ministério Público ofereça denúncia e se inicie o processo penal”, explica.
Lidar diariamente com situações delicadas e muitas vezes dolorosas exige equilíbrio emocional e vocação. Questionada sobre o que a motiva a continuar na carreira, a resposta vem de forma direta. “Amor. Eu amo minha profissão e tenho orgulho de fazer parte desta instituição que abracei como minha segunda família”, afirma.
No enfrentamento à violência contra a mulher, Dra. Márcia reforça a importância das delegacias especializadas e das políticas públicas voltadas à proteção feminina. “O trabalho realizado nas Delegacias de Defesa da Mulher é fundamental no combate à violência contra a mulher, assim como as políticas de proteção. Temos muito o que melhorar, mas o importante é manter o diálogo e buscar cada vez mais soluções”, ressalta.
Para ela, a atuação da Polícia Civil também contribui diretamente para a construção de uma cidade mais segura. “Eu acredito no que faço e acredito na Polícia Civil. Não somos perfeitos, mas com certeza damos o nosso melhor. Auxiliamos a construir uma cidade mais segura e justa para a população, esclarecendo os crimes ocorridos e levando seus autores à Justiça”, afirma.
Como mulher em posição de liderança, Dra. Márcia também deixa uma mensagem para outras mulheres que desejam seguir carreira na área pública ou na segurança. “A principal mensagem é de empoderamento: você pode, você consegue, você é capaz”, afirma.
A orientação para as jovens que desejam trilhar caminhos profissionais desafiadores também é clara. “Faça o que você ama, pois assim se sentirá realizada e será, com certeza, uma profissional melhor, em qualquer área de atuação”, destaca.
Ao participar da edição especial “Mulheres que constroem Itu”, a delegada destaca a importância do reconhecimento do papel feminino na sociedade. “Significa muito. Significa o reconhecimento da importância das mulheres para que tenhamos uma sociedade mais justa e também mais acolhedora”, conclui.
Ianni Agropecuária: tradição centenária e liderança feminina no agro de Itu
Com mais de um século de história, a Ianni Agropecuária é um exemplo de como tradição, trabalho e visão de futuro podem atravessar gerações. Hoje, a empresa é conduzida pelas irmãs Alice Ianni e Ângela Ianni, que seguem dando continuidade ao legado familiar enquanto fortalecem a presença feminina em um setor historicamente dominado por homens: o agronegócio.

A trajetória das duas dentro da empresa começou de forma natural, ainda na infância, acompanhando de perto o cotidiano do negócio da família. “Nossa história dentro da empresa começou de forma muito natural. Nós crescemos vendo nossos pais viverem a empresa todos os dias, então o trabalho sempre fez parte da nossa vida. Desde pequenas acompanhávamos as conversas, as decisões e o dia a dia”, conta Alice Ianni.
Com o passar dos anos, a relação com o negócio se transformou em responsabilidade e compromisso. “Com o tempo, fomos assumindo responsabilidades e entendendo que não se tratava apenas de um negócio, mas de um legado familiar construído com muito trabalho e amor por várias gerações”, afirma.
A origem da empresa remonta a mais de cem anos, quando o bisavô da família chegou ao Brasil. “A história da Ianni Agropecuária começou por volta de 1913, quando meu bisavô, Andrea Ianni, imigrante italiano, chegou ao país”, relembra Alice. Na época, ele trabalhava como bucheiro, manipulando e vendendo miúdos bovinos como fígado, coração, rim e bucho. Com uma pequena carrocinha, percorria as ruas de Itu vendendo os produtos para as famílias da cidade. Morando próximo ao antigo matadouro municipal, tinha acesso facilitado à matéria-prima adquirida dos açougueiros.
Foi justamente a partir dessa atividade que surgiu a relação da família com a criação de suínos. “O que sobrava desses miúdos era cozido e servido para alguns porcos que ele criava no quintal de casa. Foi assim, de forma muito simples e quase intuitiva, que começou a nossa relação com a suinocultura”, explica.
Hoje, mais de um século depois, a empresa mantém suas raízes familiares ao mesmo tempo em que evolui com profissionalização e gestão moderna. Para garantir eficiência e organização, as irmãs dividiram as responsabilidades dentro do negócio. “Nós procuramos dividir as responsabilidades de forma clara para que cada uma possa se dedicar com profundidade à sua área. Eu cuido mais da parte administrativa e de gestão da empresa, enquanto a Ângela está mais à frente da operação e do dia a dia da produção”, explica Alice.
Apesar da divisão de funções, as decisões estratégicas seguem sendo tomadas em conjunto. “Existe muito diálogo, confiança e respeito entre nós, pois trabalhamos pelo mesmo propósito”, ressalta.
Atuar no agronegócio também trouxe desafios ao longo do caminho. “Sem dúvida, o agro ainda é um ambiente muito masculino. No começo, muitas vezes precisamos provar mais do que o normal que éramos capazes de tomar decisões, liderar equipes e conduzir o negócio”, afirma Alice.
Com o tempo, porém, a presença feminina passou a ser cada vez mais reconhecida dentro do setor. “Percebemos que a liderança feminina também traz muitas fortalezas, como sensibilidade para cuidar das pessoas, organização e capacidade de ouvir e construir junto”, destaca.
O aprendizado ao longo dos anos também veio da própria dinâmica do campo e da produção. “O agro nos ensina muito sobre paciência, responsabilidade e resiliência. Trabalhamos com vida, com ciclos naturais e com muitos fatores que não controlamos. Aprendemos que é fundamental estudar, buscar tecnologia, profissionalizar a gestão e, ao mesmo tempo, manter os pés no chão e respeito pelos animais”, ressalta.
Assim como em qualquer empresa que atravessa gerações, os desafios fizeram parte da história. “Toda empresa que atravessa gerações passa por momentos difíceis. Crises econômicas, desafios de mercado, mudanças no setor e também momentos pessoais da família”, afirma.
Um dos momentos mais marcantes da trajetória recente foi um encontro que reuniu todas as equipes da empresa. “Tomamos a decisão de parar toda a operação da empresa para reunir as equipes das nossas seis unidades em um único encontro. Foi um momento muito especial, porque conseguimos olhar para todos que constroem a empresa no dia a dia e compartilhar nossos valores, nossa visão e aquilo que acreditamos como cultura da Ianni”, relata Alice.
A experiência reforçou algo que ela considera essencial na gestão da empresa. “Ali ficou ainda mais claro que a empresa não é feita apenas de estrutura ou produção, e sim de pessoas”, destaca.
A valorização das pessoas, aliás, é um dos pilares da empresa. “Na Ianni sempre acreditamos que empresa nenhuma cresce sozinha. Valorizamos muito as pessoas que caminham conosco, porque são elas que constroem o resultado todos os dias”, afirma.
Com forte ligação com a cidade, a empresa também acompanha de perto o desenvolvimento de Itu e da região. “Itu faz parte da nossa história. A empresa nasceu aqui e cresceu junto com a cidade”, ressalta Alice.
Para ela, fortalecer o comércio e os serviços locais também é uma forma de contribuir com a economia regional. “Sempre que possível procuramos trabalhar com empresas da própria região. Acreditamos que fortalecer os parceiros locais ajuda a desenvolver toda a comunidade”, afirma.
Dar continuidade ao legado da família também é motivo de orgulho e responsabilidade. “Ser uma mulher que constrói Itu é acordar todos os dias com propósito, sabendo que o nosso trabalho impacta pessoas, gera oportunidades e movimenta a economia local”, afirma Alice.
Mais do que administrar um negócio, ela vê a missão de preservar e fortalecer uma história construída ao longo de gerações. “É honrar a história que veio antes de nós e trabalhar todos os dias para deixar um legado ainda mais forte para as próximas gerações”, ressalta.
Ao olhar para outras mulheres que desejam empreender ou assumir negócios familiares, Alice deixa uma mensagem de incentivo. “Confie em você mesma. Empreender exige coragem, dedicação e muito aprendizado ao longo do caminho. Mas quando você acredita em quem você é e nos valores que carrega, fica muito mais fácil seguir em frente e ocupar o seu espaço”, conclui.
Mariana D’Andrea: força, disciplina e orgulho de representar Itu no halterofilismo
A trajetória da atleta Mariana D’Andrea no halterofilismo paralímpico é marcada por determinação, superação e grandes conquistas. Nascida e criada em Itu, ela se tornou uma das maiores referências do esporte no Brasil, levando o nome da cidade para competições internacionais e inspirando novas gerações de atletas.

O início dessa história aconteceu de forma inesperada, em 2014. Mariana ainda não imaginava que sua vida seria transformada pelo esporte quando um encontro casual mudou completamente seu caminho. “Eu conheci o halterofilismo no final de 2014, quando passava em frente à academia Fábrica com a minha mãe. O meu treinador, Valdecir Lopes, nos viu e veio conversar com a gente, fazendo o convite para conhecer a modalidade”, relembra.
Entre os momentos mais marcantes da carreira, um se destaca de forma especial: a conquista da medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. “Tóquio 2021 foi um momento inesquecível. Foi a primeira medalha de ouro conquistada pelo Brasil na modalidade do halterofilismo”, afirma.
A caminhada até novas conquistas, no entanto, também foi marcada por desafios pessoais. Durante a preparação para o Campeonato Mundial de 2023, Mariana enfrentou um momento difícil com a perda de seu pai, que sempre foi seu maior incentivador. “Na minha preparação para o Mundial, tive a perda do meu pai, que era o meu maior incentivador. Mesmo assim, eu sabia que precisava seguir em frente, porque no ano seguinte teríamos o grande desafio de conquistar a segunda medalha paralímpica em Paris”, conta.
Representar Itu em competições nacionais e internacionais é algo que carrega um significado especial para a atleta. “Existe um sentimento muito forte, pois sou nascida e criada na cidade de Itu, que eu amo tanto. Tenho muito orgulho em representar minha cidade no Brasil e no mundo”, destaca.
Com a conquista da medalha em Tóquio, Mariana também percebeu o crescimento do interesse pelo halterofilismo paralímpico e o impacto que sua história passou a ter na vida de outras pessoas. “Depois que conquistei a medalha de ouro nos Jogos de Tóquio 2021, a procura pela modalidade cresceu muito. Eu percebo a admiração das pessoas em todos os ambientes em que convivo”, ressalta.
Apesar do crescimento do esporte paralímpico no Brasil, Mariana acredita que ainda há espaço para avanços, especialmente na divulgação das competições. “O Brasil se tornou uma potência no esporte paralímpico, mas ainda sentimos falta de mais divulgação dos grandes eventos. Nos Jogos Olímpicos vemos vários canais transmitindo as competições, enquanto nos Jogos Paralímpicos esse número diminui muito”, afirma.
Para alcançar o alto rendimento, a rotina de treinos exige disciplina e foco. Mariana treina entre cinco e seis vezes por semana, sempre com metas bem definidas. “Eu priorizo o meu esporte específico e trabalho com metas. A cada competição, eu e meu treinador definimos as marcas que precisam ser alcançadas”, explica.
Mais do que conquistas e recordes, o esporte também trouxe importantes aprendizados para sua vida. “O esporte me ensinou muitas coisas. Me deu confiança, equilíbrio emocional, respeito e a capacidade de entender até onde eu posso chegar”, diz.
Para quem sonha em seguir carreira no esporte ou em qualquer outra área, Mariana deixa uma mensagem de incentivo. “Tenham metas na vida, acreditem e vão em busca dos seus sonhos. É importante ter consciência de que sempre vão surgir barreiras, mas nunca devemos desistir”, afirma.
Participar da edição especial “Mulheres que constroem Itu” também tem um significado especial para a atleta. “Para mim é uma honra fazer parte dessa edição. Fico muito feliz pelo reconhecimento de todo o trabalho que venho construindo e por estar entre as mulheres que constroem Itu”, conclui.
Jéssica Romanatto: arquitetura, fé e propósito na construção de novos caminhos
A trajetória da arquiteta Jéssica Romanatto reúne talento, comunicação e uma profunda história de superação. Atuando na área de interiores de alto padrão e em projetos que envolvem arquitetura, paisagismo e design, ela construiu uma carreira marcada pela busca constante por novos desafios e oportunidades. No entanto, sua história profissional também ganhou novos significados a partir de uma experiência que transformou sua forma de enxergar a vida.

O interesse pela arquitetura surgiu ainda na infância. “Minha conexão com a arquitetura surgiu de um dos meus sonhos de criança, quando eu pensava em ser arquiteta, piloto de avião ou veterinária”, diz. Aos 18 anos, Jéssica decidiu viver uma experiência fora do país e foi trabalhar no Japão. Depois de um período no exterior, retornou ao Brasil e passou a atuar em uma construtora de alto padrão em Ubatuba, onde teve contato direto com diferentes áreas do setor. “Foi ali que tive a oportunidade de estudar paisagismo, design de interiores e cerimonial. Eu trabalhava como auxiliar administrativa na marina da construtora e ali reacendeu a vontade de fazer arquitetura”, afirma.
Determinada a seguir esse caminho, voltou para Itu e concluiu a graduação em Arquitetura em 2015, direcionando sua atuação para o segmento de interiores de alto padrão. A facilidade de comunicação acabou abrindo novas portas dentro da carreira. “Como sempre gostei de comunicação, comecei a apresentar interiores de imóveis, barcos, aviões e helicópteros, e isso trouxe novas oportunidades de parcerias e representações”, ressalta.
Entre os momentos marcantes de sua trajetória está um convite recebido ainda durante a faculdade. “Um dos momentos mais importantes da minha carreira foi quando fui convidada, ainda como aluna de arquitetura, para desenvolver um ambiente na Indaiatuba Casa Decor”, afirma. O projeto ganhou grande visibilidade e foi destaque em diferentes veículos de comunicação. Com o amadurecimento profissional, outros projetos também ganharam importância especial, como a participação na Igreja DNA de Itu. “Foi uma honra fazer parte da equipe responsável pelos interiores e pelo paisagismo”, salienta.
No momento em que a carreira ganhava projeção, Jéssica recebeu um diagnóstico que mudaria completamente sua perspectiva sobre a vida. “No auge da minha carreira de apresentadora de interiores, recebi o diagnóstico de câncer. Posso dizer que foi um presente de Deus, porque moldou minha visão sobre tudo na vida”, afirma. A experiência trouxe reflexões profundas. “Aprendi que um diagnóstico não me governa e que sem fé e resiliência não chegamos a lugar algum. Também aprendi a valorizar as pessoas à minha volta e os mínimos detalhes”, ressalta.
Durante o tratamento, novas percepções surgiram sobre identidade, fé e propósito. “A vaidade foi um dos pontos em que aprendi bastante, porque a beleza precisa vir de dentro. Você pode perder cabelo, estética e até amigos, mas se Deus não estiver com você nesse momento, a pessoa acaba se perdendo junto com o diagnóstico”, diz.
A experiência também transformou sua forma de olhar para o trabalho e para o futuro. Foi a partir desse processo que nasceu a Mentoria O Alvo, iniciativa criada para orientar empresários e profissionais sobre posicionamento e propósito. “Minha intenção era deixar um legado não apenas para meus filhos, mas também orientar empresários de diferentes áreas sobre como se posicionar no mercado e valorizar as coisas simples da vida, que muitas vezes são verdadeiros presentes”, afirma.
Ao longo da carreira, Jéssica também percebeu desafios comuns a muitos profissionais que atuam em áreas criativas e estratégicas. “Muitas vezes as pessoas querem baratear o custo do seu trabalho, mesmo sendo uma área extremamente importante dentro de um projeto. O que o cliente não quer pagar para um profissional acaba tendo que pagar para outro resolver depois”, ressalta.
Apesar das dificuldades, a motivação permanece ligada ao amor pela profissão. “Eu nunca trabalhei apenas por dinheiro. Sempre quis trabalhar com algo que realmente amo”, afirma. Para ela, cada projeto é desenvolvido com dedicação total. “Faço meus trabalhos como se estivesse fazendo para Deus. Eu amo o que faço e procuro entregar sempre o meu melhor”, diz.
Sobre o papel da arquitetura nas cidades, Jéssica acredita que o equilíbrio entre história e modernidade é essencial. “Quando a história e o patrimônio da cidade são preservados e respeitados, é possível unir conceitos modernos que acompanhem o crescimento da população e criem ambientes mais humanos e acolhedores”, ressalta.
Ao falar com outras mulheres que enfrentam desafios ou momentos difíceis, ela compartilha uma mensagem de esperança. “Eu sempre digo nas minhas mentorias que nenhuma provação é dada a você se você não puder suportar. Tenha fé, foco e força de vontade. Mire no alvo que você deseja atingir e siga em frente”, afirma.
Participar da edição especial “Mulheres que constroem Itu” tem um significado especial para a arquiteta. “Me sinto privilegiada por ter sido indicada para essa edição. Tudo que vivi até aqui só foi possível pela fé que me sustenta e pela gratidão por cada etapa da caminhada”, conclui.
Maria Ondina Leite Franceschinelli: educação, valores e vocação na formação de gerações
A trajetória da educadora Maria Ondina Leite Franceschinelli é marcada por décadas dedicadas à formação de crianças e jovens em Itu. Professora por muitos anos e atualmente coordenadora pedagógica do Colégio Divino Salvador, ela construiu uma carreira baseada no compromisso com a educação, na valorização das relações humanas e na formação integral dos alunos. Sua escolha pela área surgiu ainda na juventude e foi fortemente influenciada pela história familiar. “Minha formação como educadora está muito ligada à minha mãe, que foi uma grande professora e uma grande inspiração para mim. No início até relutei em seguir esse caminho e pensei em outras áreas, mas por orientação dela acabei escolhendo cursar Pedagogia”, relembra.

Logo no início da carreira, Ondina teve a oportunidade de trabalhar em uma escola conceituada de Itu, experiência que marcou profundamente sua trajetória profissional e ajudou a consolidar sua vocação. “Quando comecei a dar aula, senti como se aquilo já fizesse parte de mim”, afirma. Durante 25 anos atuou como professora na rede estadual, período que descreve como um tempo de intenso aprendizado e crescimento pessoal e profissional. Posteriormente iniciou sua trajetória no Colégio Divino Salvador, onde primeiro trabalhou como professora e depois foi convidada a assumir a coordenação pedagógica, função que exerce há duas décadas. “É um trabalho que me realiza muito, tanto pessoal quanto profissionalmente”, destaca.
Entre os momentos mais marcantes da carreira, a educadora lembra com carinho do período em que trabalhou na Escola Ermelinda Silveira Machado, que na época era considerada uma Escola Padrão e vivia um momento de transformações na educação. “Foi um período de muitas mudanças, em que tive contato com novas metodologias e participei de muitas formações”, relembra. Ela também destaca a importância das pessoas que fizeram parte dessa etapa da sua caminhada. “Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas muito especiais, como a diretora Toninha Carneiro, e um grupo de professores muito unido, que pensava a educação de forma inovadora”, ressalta.
Para Ondina, a escola cumpre um papel muito mais amplo do que apenas transmitir conteúdos acadêmicos. “Acredito que a escola tem um papel fundamental na sociedade, não apenas na transmissão de conhecimentos, mas principalmente na formação humana”, afirma. Segundo ela, é no ambiente escolar que muitas crianças vivenciam seus primeiros aprendizados sociais, desenvolvendo valores e habilidades importantes para a vida em comunidade. “É na escola que muitas crianças têm seu primeiro grande contato social, onde aprendem a conviver, respeitar o outro, trabalhar em grupo e desenvolver autonomia”, explica. Nesse processo, as chamadas habilidades socioemocionais ganham espaço e se constroem no cotidiano das relações entre alunos, professores e famílias.
Ao mesmo tempo, a educadora reconhece que a área enfrenta desafios importantes na atualidade. “Vivemos em um tempo em que existem muitas opiniões sobre a escola e sobre o processo educativo, mas nem sempre se compreende toda a complexidade do trabalho pedagógico”, ressalta. A relação com as famílias e as diferentes expectativas em relação à escola também fazem parte desse cenário. “A escola precisa conduzir um trabalho coletivo e com propósitos claros, ao mesmo tempo em que dialoga com diferentes visões e necessidades das famílias”, afirma.
No Colégio Divino Salvador, Ondina destaca que o trabalho pedagógico também está profundamente conectado à formação de valores. “Aqui desenvolvemos um projeto que vai além do ensino acadêmico, voltado também para a formação humana e cristã, inspirado na missão dos padres salvatorianos e no legado do Padre Jordan”, explica. Segundo ela, essa proposta envolve toda a comunidade escolar e busca fortalecer princípios que contribuam para uma convivência mais solidária e responsável. “Em todas as nossas ações buscamos vivenciar e transmitir os valores de Jesus Cristo, envolvendo alunos, famílias e toda a comunidade escolar”, destaca.
A educadora também acredita que a presença feminina em posições de liderança traz contribuições importantes para o ambiente educacional. “A liderança feminina tem uma força muito especial, principalmente na educação. A mulher costuma ter uma grande capacidade de acolher, perceber diferentes situações e conduzir pessoas com sensibilidade e responsabilidade”, afirma. Para ela, incentivar outras mulheres a ocupar esses espaços também é fundamental para fortalecer a educação e o trabalho coletivo. “Considero importante incentivar outras mulheres a assumirem posições de liderança e contribuírem cada vez mais para a educação”, ressalta.
Para quem deseja seguir carreira na área, Ondina acredita que o primeiro passo é ter vocação e sensibilidade para lidar com pessoas. “Antes de tudo, a pessoa precisa gostar de gente. Trabalhar com educação é acreditar no outro e querer ver o crescimento e o desenvolvimento das pessoas”, afirma. Ela também destaca a importância da formação contínua e do trabalho em equipe para enfrentar os desafios da profissão.
Entre todos os valores que podem ser cultivados no ambiente escolar, a educadora aponta um como essencial para a convivência e o aprendizado coletivo. “Acredito que o valor mais importante a ser desenvolvido na escola é o respeito. Respeito ao outro, às diferenças, aos professores, aos colegas e a todas as pessoas que fazem parte do ambiente escolar”, destaca. Para ela, quando esse princípio está presente, os demais valores também se desenvolvem de forma mais natural dentro da comunidade escolar.
Ao participar da edição especial “Mulheres que constroem Itu”, Ondina afirma receber a homenagem com gratidão e reconhecimento pelo trabalho de tantas mulheres que atuam na cidade. “Sinto-me muito honrada e orgulhosa por ter meu nome lembrado para uma homenagem tão significativa”, afirma. Para ela, a construção de uma sociedade melhor passa pelo esforço coletivo e pela colaboração entre diferentes trajetórias. “Acredito que, quando caminhamos juntas, nós mulheres nos fortalecemos e conseguimos construir muito mais”, conclui.
Rosalia Maria Rodrigues de Campos: educação, presença e luta por igualdade na construção de novos caminhos

A trajetória da psicóloga, professora e pesquisadora Rosalia Maria Rodrigues de Campos é marcada pela persistência, pela valorização da educação e pelo compromisso com a promoção da igualdade racial e de gênero. Filha de Irene e neta de Dona Ismênia, Rosalia construiu uma caminhada que une formação acadêmica, atuação social e dedicação à transformação da sociedade por meio do conhecimento. Psicóloga, professora adjunta, graduada em Ciências Biológicas, pós-graduada em Educação Social e mestra em Educação pela Unicamp, também integra o grupo de pesquisa DIS, que desenvolve estudos sobre educação das relações étnico-raciais, classe e gênero. Atualmente atua como coordenadora de Promoção da Igualdade Racial em Itu e presidente do CMDMI – Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Ituana.
Sua trajetória profissional começou ainda jovem, quando decidiu ingressar na área da educação após concluir o magistério. “Eu iniciei minha trajetória profissional como professora porque fiz o magistério. Casei-me aos 20 anos, estou casada há 41 anos e tivemos três filhos: Renata, João e Matheus”, relembra. Mesmo já inserida no universo educacional, Rosalia carregava um sonho que só conseguiria realizar anos mais tarde: cursar Psicologia. “Pude realizar esse sonho já com 44 anos. Aproveitei as políticas públicas, algo que valorizo muito, prestei o Enem e fui para a faculdade de Psicologia em Jundiaí pelo ProUni, pagando apenas 50% do curso, porque na época ainda não existia o curso em Itu”, conta.
Conciliar estudo, trabalho e vida familiar exigiu dedicação intensa e superação constante. “Os desafios foram gigantescos: poucas horas de sono, dificuldades com as novas tecnologias e olhares desconfortáveis pela idade e pelo não lugar que muitas vezes nos é imposto”, afirma. Para ela, esses obstáculos se transformaram em combustível para seguir adiante. “Todos esses desafios foram utilizados como degraus para minha vitória”, ressalta. Depois de concluir a graduação, Rosalia não parou mais de estudar e aprofundar sua formação. “Atualmente estou a caminho do doutorado na Unicamp”, destaca.
Ao longo da caminhada, homenagens e reconhecimentos passaram a fazer parte de sua história, algo que ela recebe com gratidão e senso de continuidade. “Essas homenagens são extremamente significativas porque, na verdade, estou colhendo frutos que foram plantados anteriormente”, afirma. Rosalia lembra com carinho do papel fundamental de sua mãe em sua formação. “Minha mãe, Irene, que era cozinheira, comprava para nós comida e livros, e isso fez toda a diferença na minha vida”, diz. Para ela, cada reconhecimento também representa a visibilidade de uma luta coletiva. “Nossos passos vêm de longe, e essas homenagens são uma forma de dar visibilidade à nossa luta, à nossa persistência e à nossa resiliência”, ressalta.
A psicóloga também destaca a importância da representatividade e da presença de mulheres em espaços de liderança e visibilidade.Essa identificação é ainda mais significativa para pessoas negras, que historicamente foram afastadas desses espaços. “Nós, pessoas negras, muitas vezes não nos vemos nesses lugares, e isso faz toda a diferença na construção da autoestima e de uma identidade positiva”, explica. Ela também cita a escritora Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras. “Mais do que representatividade, é presença”, destaca.
Entre os momentos que marcaram sua trajetória recente, Rosalia lembra de um episódio ocorrido durante uma mesa de debates promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na qual participou como convidada por sua atuação na promoção da igualdade racial. “Quando você vai adquirindo conhecimento, fica muito difícil se calar diante das injustiças ou de informações que não são confiáveis”, afirma. Durante o evento, sua fala foi desqualificada, situação que ela analisa como reflexo de estruturas sociais ainda presentes. “Percebo que nós, enquanto mulheres e enquanto mulheres negras, muitas vezes somos silenciadas ou interrompidas”, relata. Segundo ela, episódios como esse revelam um problema mais amplo. “Muitas pessoas ainda não se sensibilizam quando uma mulher negra passa por uma violência, um assédio moral ou até mesmo pelo racismo”, ressalta.
Além da atuação profissional, Rosalia também leva o nome de Itu para diferentes espaços acadêmicos e sociais. “Tenho tido muitas oportunidades de representar a cidade em eventos, palestras e movimentos sociais em outras cidades da região e até mais distantes, exaltando o comprometimento do município com a diversidade de classe, gênero e raça”, afirma.
Na área da psicologia, Rosalia destaca o compromisso com uma prática baseada no respeito e na escuta. “O que mais admiro na psicologia é o fato de não trazer julgamentos. Minha abordagem trabalha com a aceitação incondicional e positiva das pessoas”, explica. Para ela, esse processo permite que cada indivíduo encontre novos caminhos para fortalecer sua autoestima.
Rosalia também chama atenção para desafios que ainda impactam a vida das mulheres na sociedade. “Mesmo com uma rede de proteção ativa, ainda enfrentamos violências estruturais, especialmente no acesso a cargos de liderança e na desigualdade salarial”, afirma. Segundo ela, dados mostram que mulheres ainda recebem menos que homens em funções equivalentes. “Na região, as mulheres podem ganhar até 23% menos que os homens em funções semelhantes, o que limita a independência financeira e dificulta o rompimento de ciclos de violência doméstica”, explica. Para a pesquisadora, é urgente repensar essas estruturas. “Precisamos rever essa realidade com urgência”, ressalta.
Ao refletir sobre o papel das mulheres na construção da sociedade, Rosalia deixa uma mensagem de incentivo e reconhecimento. “É extremamente importante que nós mulheres continuemos acreditando no nosso potencial, reconhecendo nossas lutas e nossas vitórias”, afirma. Para ela, o caminho deve continuar sendo trilhado com coragem e esperança. “Devemos seguir de cabeça erguida, sempre com o olhar voltado para o horizonte”, destaca.
Participar da edição especial “Mulheres que constroem Itu” também possui um significado especial para a educadora. “Para mim, é uma honra participar desse reconhecimento, que celebra a força coletiva das mulheres que movimentam nossa cidade”, afirma. Rosalia também vê o momento como uma homenagem àquelas que abriram caminhos antes dela. “Esse tributo também é um legado das mulheres que vieram antes, pavimentando nossa caminhada”, conclui.







Deixe uma resposta