Serviço oferece acompanhamento em saúde mental para maiores de 18 anos por meio do aplicativo Meu SUS Digital
O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou um novo serviço de teleatendimento em saúde mental voltado a pessoas com compulsão por jogos de apostas online, conhecidas popularmente como “bets”. A iniciativa foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e busca ampliar o acesso ao tratamento para pessoas que enfrentam problemas relacionados ao vício em apostas.
O serviço é gratuito, confidencial e destinado a pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e integrantes da rede de apoio que convivem com o problema.
A iniciativa é realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa inicial é de realizar cerca de 600 atendimentos online por mês, com possibilidade de ampliação conforme a demanda. A meta futura é alcançar até 100 mil atendimentos mensais.
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, a medida busca oferecer apoio às pessoas que enfrentam sofrimento emocional relacionado ao vício em apostas.
“O objetivo é acolher e ajudar essas pessoas a sair do sofrimento mental associado à compulsão em apostas eletrônicas, que muitas vezes gera também problemas financeiros e familiares”, afirmou.
As consultas são realizadas por videoconferência, têm duração média de 45 minutos e fazem parte de um ciclo estruturado de cuidado, que pode incluir até 13 sessões por paciente. Os atendimentos podem ocorrer de forma individual ou em grupo, incluindo familiares ou pessoas da rede de apoio.
A equipe responsável pelo atendimento é multiprofissional, formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais e médicos psiquiatras, além de articulação com assistência social e medicina de família para integração com serviços locais de saúde.
Como acessar o serviço
O acesso ao teleatendimento é feito por meio do aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente para Android, iOS e versão web.
Após fazer login com a conta gov.br, o usuário deve acessar a área “Miniapps” e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”.
O sistema apresenta inicialmente um autoteste baseado em evidências científicas, com perguntas que ajudam a identificar sinais de risco relacionados ao comportamento de apostas.
Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é realizado automaticamente. Nos casos de menor risco, o aplicativo orienta o usuário a procurar atendimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Além disso, o aplicativo disponibiliza conteúdos informativos sobre prevenção, sinais de alerta e impactos das apostas na saúde mental.
Outra forma de orientação é por meio da Ouvidoria do SUS, disponível pelo telefone 136, além de atendimento via WhatsApp, formulário online e chatbot no site do Ministério da Saúde.
Impacto social das apostas
Estudos recentes apontam que o crescimento das apostas online tem provocado impactos econômicos e sociais significativos no país. Estimativas indicam que as perdas associadas ao problema chegam a R$ 38,8 bilhões por ano.
Segundo o Ministério da Saúde, a busca por tratamento presencial ainda é baixa, muitas vezes por vergonha, medo de julgamento ou dificuldade em reconhecer o problema.
Por isso, o teleatendimento foi estruturado para ampliar o acesso ao cuidado de forma reservada, segura e acessível, facilitando que mais pessoas procurem ajuda.
Capacitação de profissionais
Como parte da estratégia de enfrentamento ao problema, o Ministério da Saúde também está promovendo a capacitação de profissionais da área da saúde em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Ao todo, foram disponibilizadas 20 mil vagas em cursos de formação, com mais de 13 mil inscrições registradas até o momento.
Plataforma de autoexclusão
Outra ferramenta disponível para quem deseja interromper o hábito de apostas é a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, que permite ao usuário solicitar o bloqueio de acesso a sites de apostas.
Por meio da plataforma, também é possível impedir o uso do CPF para novos cadastros ou recebimento de publicidade de apostas.
O bloqueio pode ser solicitado por períodos de dois meses, seis meses ou por tempo indeterminado, utilizando conta gov.br nos níveis prata ou ouro.




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