Um novo levantamento da Serasa Experian traça um panorama detalhado sobre a realidade financeira e os hábitos de consumo dos aposentados brasileiros. O estudo revela um cenário marcado por renda limitada para a maioria desse público e por diferenças significativas de comportamento conforme a faixa de rendimento.
O Brasil conta atualmente com mais de 25 milhões de aposentados, um grupo que tende a ganhar ainda mais relevância diante do envelhecimento progressivo da população. Segundo o estudo, 79% dos aposentados recebem menos de R$ 2 mil por mês. Em contrapartida, apenas 8,5% têm renda superior a R$ 6 mil mensais.
Os dados foram elaborados a partir do Mosaic, solução da área de Marketing Solutions da Serasa Experian, em cruzamento com a plataforma Insights Hub. As ferramentas utilizam variáveis socioeconômicas, comportamentais e financeiras para segmentar perfis e analisar propensões de consumo.
De acordo com Giovana Giroto, CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, o levantamento reforça que os aposentados não formam um grupo homogêneo.
“Há diferenças importantes de renda, rotina e comportamento de consumo dentro desse público. Quando as marcas conseguem enxergar essas nuances, deixam de tratar o aposentado como um perfil único e passam a construir estratégias mais adequadas à realidade de cada segmento”, afirma.
Digital ainda é desafio
O estudo aponta que o consumo digital entre aposentados ainda é restrito. Apenas 12,8% demonstram afinidade com compras online, 10% utilizam aplicativos de entrega de comida no dia a dia e somente 5% são assinantes de serviços de streaming de vídeo ou áudio.
Os números indicam que o ambiente digital, embora presente, ainda não é plenamente incorporado pela maioria desse público. A baixa adesão pode estar associada à menor familiaridade com tecnologia ou à desconfiança em relação à segurança das transações online.
Para a executiva, o desafio das empresas está em construir jornadas mais simples, claras e seguras. “Como o canal digital tende a ser mais eficiente para as empresas, é fundamental investir em estratégias que atinjam o público correto e fortaleçam a confiança na marca”, explica.
Diferenças no padrão de consumo
O levantamento também mostra que grande parte da renda mensal dos aposentados já está comprometida com despesas fixas e obrigações financeiras, reduzindo a margem para gastos discricionários, como lazer e turismo.
No entanto, o cenário muda significativamente quando analisado o recorte dos aposentados com renda superior a R$ 6 mil. Entre o grupo geral, a propensão à contratação de seguro de vida é de 2% e de seguro saúde, 7,8%. Já entre os aposentados de maior renda, esses percentuais sobem para 18% e 41%, respectivamente.
A mesma tendência é observada no turismo. Enquanto, no total analisado, a propensão a viagens é de 2,7%, no grupo com renda acima de R$ 6 mil o índice chega a 32,9%.
Os dados evidenciam que a capacidade financeira impacta diretamente nas escolhas e prioridades de consumo. Para a maioria, segundo a Serasa Experian, as estratégias devem priorizar empatia, acessibilidade e ofertas compatíveis com o orçamento mensal. Já para o público de maior renda, surgem oportunidades mais claras em setores como seguros, saúde, turismo e serviços premium.
Inteligência de dados para segmentação
A Serasa Experian destaca que suas soluções proprietárias, como o Insights Hub e o Mosaic, permitem às empresas compreender melhor os diferentes perfis de consumo. A plataforma combina dados demográficos, socioeconômicos, comportamentais e financeiros, além de informações de geolocalização e sinais de fraude, possibilitando análises detalhadas para decisões estratégicas.
O estudo reforça a importância de uma segmentação mais precisa diante de um público que cresce em tamanho e diversidade, especialmente em um país que passa por transformações demográficas aceleradas.




Deixe uma resposta