Diretor de expansão, Mário Auler, explica etapas, serviços iniciais, modelo de atendimento e o impacto do futuro hospital oncológico no Pirapitingui
A chegada do Hospital Amaral Carvalho a Itu está prestes a mudar definitivamente o cenário do tratamento oncológico na região. Em entrevista exclusiva ao Agora Itu, o diretor de expansão da instituição, Mário Auler, explicou minuciosamente as etapas de implantação, o cronograma, os serviços previstos e a dimensão histórica do projeto. Segundo ele, a primeira fase, instalada no prédio da Santa Casa, está em ritmo acelerado, apesar dos desafios que envolvem atuar em um imóvel tombado pelo Estado.
Auler relata que o prédio histórico exige técnicas específicas de restauração e conservação. Telhas, por exemplo, só podem ser substituídas por modelos produzidos por poucas olarias especializadas; a fachada não pode ser modificada e toda intervenção precisa seguir protocolos de preservação. “A Santa Casa é um prédio tombado. Isso muda completamente o processo de obra. É diferente de construir uma casa comum. Até encontrar as telhas adequadas você precisa de sorte, pesquisa e fornecedores específicos”, explica.
Mesmo com essas particularidades, o cronograma segue dentro do previsto. A expectativa é que a obra civil seja concluída entre fevereiro e início de março, permitindo que a equipe entre na fase seguinte: a instalação de equipamentos, configuração dos sistemas e o treinamento dos profissionais. “A obra termina num dia, mas o serviço não começa no outro. Você precisa montar tudo, ajustar máquinas, fazer testes, capacitar a equipe. É uma etapa tão importante quanto a construção”, reforça.
A política da instituição é contratar preferencialmente profissionais da própria cidade e região, o que reforça a integração local e aproxima o hospital da comunidade. “A gente quer essa interação plena com Itu. As primeiras contratações serão daqui. Queremos estar presentes não só como instituição, mas como parte da vida da cidade.”
Quimioterapia será o primeiro grande serviço e reduz viagens exaustivas a Jaú
O início da operação do ambulatório representará um alívio imediato para pacientes que hoje precisam viajar longas distâncias para tratamento. Auler explica que o primeiro grande serviço oferecido será a quimioterapia, justamente o que mais afeta a rotina dos pacientes da região. O ciclo médio de quimioterapia dura 21 dias, o que obriga deslocamentos frequentes até Jaú e, muitas vezes cansativos, dispendiosos e emocionalmente desgastantes para famílias inteiras.
“Essa é a demanda mais urgente da população. A pessoa opera ou faz um procedimento em Jaú, mas depois precisa voltar para ciclos sucessivos. Isso será feito aqui, em Itu. E isso vale para toda a região”, detalha o diretor.
A unidade funcionará de segunda a sexta-feira, com ritmos de atendimento planejados de acordo com o espaçamento dos ciclos. Auler estima que, inicialmente, cerca de sete pacientes por dia possam ser atendidos, número que pode variar conforme a organização da demanda regional. Ele ressalta que radioterapia, tratamento altamente necessário, mas complexo, não será oferecida nesta primeira fase. “Radioterapia exige casamata, estruturas radioativas e toda uma construção civil muito mais robusta. Isso virá com o hospital grande, não agora”, salienta.
Ainda assim, a implantação inicial já representa um marco para os 47 municípios do Departamento Regional de Saúde de Sorocaba. Hoje, todos têm pacientes que, de alguma forma, dependem de Jaú. Com Itu assumindo parte desse fluxo, a região ganha agilidade, redução de deslocamentos e maior humanização do cuidado. Auler destaca também que cirurgias oncológicas continuarão concentradas em Jaú, mas o pós-operatório, a quimioterapia e outros procedimentos complementares passarão a ser absorvidos pela unidade ituana.
Modernização tecnológica e forte mobilização social fortalecem o projeto
Além da estrutura física, o ambulatório contará com equipamentos modernos, laboratório próprio e tecnologias específicas para oncologia, cujo tratamento exige parâmetros mais rigorosos do que outras áreas médicas. “A oncologia é completamente diferente de um centro de diagnóstico comum. É outra filosofia, outro conjunto de exigências, outra responsabilidade”, explica Auler.
A mobilização social em torno do projeto também tem surpreendido a instituição. Segundo ele, a cidade tem demonstrado forte envolvimento, tanto emocional quanto prático. Uma das provas desse engajamento foi o jantar promovido por uma loja maçônica de Itu, que arrecadou R$ 30 mil e destinou o valor diretamente ao hospital. “É um primeiro sinal da mobilização. A sociedade está buscando alternativas para fazer parte dessa história. Isso mostra que estamos construindo algo diferente.”
O telemarketing oficial do Amaral Carvalho, composto por cerca de 30 profissionais especializados, já iniciou sua atuação na região. A equipe entra em contato com moradores e empresas apresentando formas de contribuição totalmente seguras, combatendo a preocupação comum com golpes. “As pessoas vão se identificar, explicar o programa, orientar sobre PIX, carnê mensal, doações empresariais. Há softwares que registram listas, chamadas e tudo é altamente rastreável. O Brasil é o país dos golpes, mas nosso telemarketing é oficial e treinado”, explica.
Auler destaca que essa participação da comunidade não é apenas financeira, é também emocional, simbólica e social. Muitas pessoas têm parado o diretor nas ruas para contar histórias de familiares atendidos em Jaú e demonstrar gratidão pela chegada da instituição. “É impressionante. A cidade me revela amor. Onde você passa, tem alguém que conhece, que foi atendido, que tem uma relação com o Amaral Carvalho.”
Hospital de 44 mil m² no Pirapitingui será o marco da nova era do tratamento oncológico



Embora a fase inicial na Santa Casa seja considerada essencial, Auler deixa claro que o grande salto está no projeto do hospital oncológico de grande porte, que será construído na região do Pirapitingui, ao lado do AME. O terreno, que hoje abriga uma plantação de pinus, está em processo formal de cessão pelo Governo do Estado à Fundação Amaral Carvalho.
O hospital terá 44 mil metros quadrados, distribuídos em quatro pavimentos, projetados para atender toda a cadeia oncológica, de diagnóstico a transplante, com tecnologia avançada, pesquisa, robótica e estrutura especializada para crianças, mulheres e idosos. O estacionamento terá 1.200 vagas, número que reflete o volume de circulação esperado. Auler não hesita em classificar o projeto: “Será o maior hospital de oncologia do Estado de São Paulo no século XXI.”
O processo legal envolve duas etapas: primeiro, a permissão de uso por 50 anos; depois, a escritura definitiva, que permitirá à instituição acessar financiamentos, emendas parlamentares, recursos federais e estaduais. Só após isso será possível iniciar a obra. Auler ressalta que obras modernas possuem processos rápidos, desde que os recursos estejam garantidos. “Se dependesse só de nós, faríamos em dois anos. Mas não se começa uma obra desse porte com um milhão em caixa. É um projeto de cerca de R$ 500 milhões”, pondera.
O diretor reforça que, apesar das dificuldades, há otimismo e união. O Estado participa, a União deve contribuir, parlamentares já se mobilizam e empresas locais começam a demonstrar apoio direto. “Estamos trabalhando bastante. É uma arrancada que vai mobilizar ainda mais a cidade conforme avançarem as etapas”, enfatiza.
Ele reforça ainda que o hospital será um legado para gerações. A instituição, que hoje atende mil municípios brasileiros, incluindo 500 paulistas e 500 de outros estados, possui casas de apoio que oferecem 300 mil refeições anuais e 60 mil diárias hospitalares.
“É o maior ‘hotel’ do interior paulista”, brinca, referindo-se à estrutura de acolhimento.
Um legado construído com a cidade e para a cidade
Ao final da entrevista, Auler faz questão de destacar que o projeto não pertence apenas à instituição, mas a toda a sociedade. O futuro centro oncológico de Itu, segundo ele, será construído com cada gesto, cada contribuição e cada iniciativa de solidariedade. “A diferença é que tomamos a iniciativa junto com o prefeito Herculano Passos, que teve coragem de enfrentar esse desafio. Mas o projeto é da cidade, da região, das pessoas que vão usar e das famílias que vão ser atendidas”, ressalta.
Ele acredita que, com a entrega da unidade na Santa Casa e o avanço do hospital no Pirapitingui, o comportamento da população mudará rapidamente. “Você vai perceber no decorrer do tempo. Vai olhar e dizer: mudou. As pessoas vão passar a enxergar a oncologia de uma maneira diferente”, aposta.
Com serviços que irão desde a quimioterapia até transplantes complexos no futuro hospital completo, Itu se posiciona como um novo polo regional do cuidado oncológico. E Auler encerra com o convite: “Façam tudo na vida, mas olhem para esse projeto com o coração. Vamos construir isso juntos.”
Amaral Carvalho: um século de assistência, inovação e alcance nacional no combate ao câncer
Reconhecida como a primeira instituição hospitalar do interior paulista especializada em câncer, a Fundação Amaral Carvalho consolidou-se ao longo das décadas como uma das maiores referências em oncologia do Brasil, unindo história centenária, avanço tecnológico, atendimento humanizado e impacto social de grande alcance. A trajetória da instituição começou em 1915, quando o casal Domingos Pereira de Carvalho e Anna Marcelina de Carvalho doou o terreno e os recursos necessários para a construção da Maternidade Jahu, gesto filantrópico que daria origem a um complexo de saúde que, mais de cem anos depois, se tornaria um dos mais respeitados centros oncológicos da América Latina.
Hoje, a Fundação Amaral Carvalho mantém números que expressam a dimensão de seu papel no país: são 18.313 pacientes em acompanhamento, 21.257 cirurgias realizadas, 538.202 atendimentos, 215.108 consultas e 1.715.121 procedimentos, em um serviço que, somente em 2024, acolheu mais de 81 mil pacientes. Com alcance nacional, recebe pessoas de 24 estados mais o Distrito Federal, sendo 85% atendidos pelo Sistema Único de Saúde, o que reforça seu compromisso social e sua atuação decisiva na democratização do acesso ao tratamento oncológico de alta complexidade.
A instituição também detém um dos títulos mais significativos da oncologia brasileira: é o maior centro transplantador de medula óssea do Hemisfério Sul, com 4.479 transplantes já realizados. Esse resultado é fruto de investimentos contínuos em tecnologia, qualificação profissional e aprimoramento da estrutura hospitalar. Com 41 especialidades médicas, mais de 200 médicos especialistas e um corpo funcional composto por 1.906 colaboradores, o Amaral Carvalho sustenta uma rede moderna que engloba hospital de ensino, centro de medicina diagnóstica, centro cirúrgico, medicina nuclear e um centro de ensino e pesquisa que impulsiona inovação e desenvolvimento científico.
A presença da instituição no Estado de São Paulo é igualmente expressiva. Apenas no território paulista, o Amaral Carvalho atende usuários de 434 municípios e registra 77.089 pacientes atendidos, 157.409 consultas e 1.450.428 procedimentos realizados, números que mostram sua importância como peça-chave na estrutura de atendimento oncológico do estado. Paralelamente à atuação hospitalar, a fundação mantém uma das maiores redes de apoio humanizado do país, com casas de acolhimento que recebem cerca de 6 mil pacientes por ano, oferecendo 60 mil diárias completas, 300 mil refeições anuais, hotelaria estruturada e serviços multiprofissionais voltados ao bem-estar dos usuários e acompanhantes.
O voluntariado é outro pilar que expande o alcance do trabalho social da instituição. São 4.200 voluntários distribuídos em 109 Ligas de Combate ao Câncer, atuando em iniciativas de acolhimento, prevenção, conscientização e assistência às famílias, fortalecendo uma rede solidária que ultrapassa os limites hospitalares. Esse conjunto de esforços se torna ainda mais relevante diante do cenário epidemiológico da região: segundo projeções do INCA, surgem anualmente cerca de 12 mil novos casos de câncer no território atendido pela instituição, reforçando o desafio contínuo de ampliar a capacidade assistencial, aprimorar serviços e fortalecer a prevenção.
Com mais de um século de história, a Fundação Amaral Carvalho segue fiel ao propósito que guiou sua criação: oferecer um tratamento oncológico de excelência, acessível e humanizado, sustentado pela ciência, pela filantropia e pela solidariedade. Em constante expansão e modernização, a instituição reafirma diariamente sua posição como uma das maiores forças do país no combate ao câncer, impactando vidas, ampliando possibilidades e construindo um legado que atravessa gerações.



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