Após três anos consecutivos de alta, o país apresenta redução nos divórcios e vê a guarda compartilhada ultrapassar, pela primeira vez, a guarda exclusivamente materna.
O Brasil registrou uma queda de 2,8% no número de divórcios em 2024, totalizando 428.301 dissoluções formais de casamento, de acordo com levantamento do IBGE. O dado interrompe uma sequência de três anos de crescimento nas separações, fenômeno associado ao impacto emocional e econômico pós-pandemia. Apesar da redução nacional, o Norte foi a única região a apresentar alta, enquanto Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste observaram recuo.
O levantamento também mostra uma mudança histórica no modelo de organização familiar após a separação. Pela primeira vez, a guarda compartilhada tornou-se majoritária, aparecendo em 44,6% dos divórcios, contra 42,6% da guarda materna. Especialistas apontam que a tendência reflete maior conscientização sobre corresponsabilidade parental, além de avanços jurídicos que incentivam a divisão equilibrada dos cuidados.
Outro aspecto revelado pelo IBGE é a manutenção do tempo médio de duração dos casamentos até a separação, que permanece em 13,8 anos. A idade média dos ex-cônjuges também segue estável: homens se divorciam aos 44,5 anos, enquanto mulheres se separam aos 41,6. Esses dados reforçam que a decisão costuma ocorrer após longo período de convivência, muitas vezes motivado por mudanças de ciclo de vida.
Mesmo com a queda deste ano, o Brasil ainda registra número expressivo de dissoluções: para cada 100 casamentos heterossexuais, há 45,7 divórcios. Segundo o IBGE, a tendência é que a guarda compartilhada continue a crescer, influenciando dinâmicas familiares, rotinas de cuidado e políticas públicas voltadas às crianças.




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