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Tempo seco e queimadas aumentam riscos à saúde respiratória

Crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas precisam redobrar cuidados durante o período de estiagem

Por Mariane Belasco

O estado de São Paulo enfrenta, nos últimos anos, períodos prolongados de tempo seco, intensificados pela escassez de chuvas e pelo aumento das queimadas na região. Esses fatores não apenas elevam o risco de incêndios, como também afetam diretamente a saúde da população, principalmente das crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas. A baixa umidade do ar, aliada à poluição atmosférica, torna-se um problema de saúde pública que exige atenção redobrada, prevenção e cuidados específicos para minimizar os impactos no corpo humano.

Segundo dados da Defesa Civil e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal para a saúde respiratória é uma umidade relativa do ar de cerca de 60%. Entretanto, em cidades do interior de São Paulo, os índices já chegaram a 10% – em algumas cidades chegou a 4% – configurando um cenário crítico, em que olhos, nariz, garganta e pele sofrem com a secura excessiva. A situação é ainda mais preocupante em períodos de estiagem prolongada, quando o ar seco facilita a propagação de vírus, bactérias e alérgenos.

O impacto do tempo seco nas vias respiratórias

Para entender melhor os efeitos da baixa umidade do ar nas vias respiratórias, a reportagem do jornal Agora Itu entrevistou a Dra. Catharina Ruiz Silvestre Pagotto, pneumologista. Ela explica que o ressecamento da mucosa nasal e respiratória compromete a produção de muco, um dos principais mecanismos de defesa do organismo. “O ressecamento das vias respiratórias afeta a defesa do corpo, deixando-o mais propenso à entrada de vírus, bactérias e alérgenos, aumentando a incidência de infecções respiratórias e crises alérgicas”, afirma.

Dra. Catharina Ruiz Silvestre Pagotto

Segundo a médica, pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma, bronquite ou rinite alérgica, podem precisar ajustar o uso de medicamentos durante os períodos mais secos. “Muitas vezes, é necessário ajustar a dose dos remédios, mas sempre com orientação médica. O uso de umidificadores ajuda, assim como soluções caseiras, como toalhas ou bacias com água no ambiente, além de fechar portas e janelas para evitar que a fumaça das queimadas entre em casa”, orienta.

A vulnerabilidade se concentra principalmente em crianças e idosos. “Crianças ainda estão em formação imunológica, e idosos podem ter a imunidade comprometida pela idade, tornando ambos os grupos mais suscetíveis a infecções e complicações respiratórias”, alerta a Dra. Catharina.

Queimadas e poluição: diferenças e riscos

Outro agravante do período seco são as queimadas, cujas partículas diferem das poluições urbanas, como fumaça de carros e indústrias. Gabrielle Stuque Sampaio Groblackner, advogada e paciente com bronquite asmática alérgica, relata como a combinação de tempo seco e fumaça das queimadas afetam seu dia a dia: “Sofro muito, principalmente nesta semana. A tosse, a dificuldade para respirar e o cansaço se intensificam. Temos que aumentar a dose de nossos medicamentos fitoterápicos, fazer ozonioterapia, inalação, lavagem nasal e ingerir muita água para evitar crises”, explica.

Gabrielle Stuque Sampaio Groblackner,

 A médica pneumologista detalha que a fumaça das queimadas contém altas concentrações de gases nocivos, enquanto a poluição urbana possui, entre outros componentes, monóxido de carbono. “Ambas são prejudiciais à saúde, mas apresentam composições diferentes e riscos específicos. As queimadas liberam partículas finas que chegam profundamente aos pulmões, aumentando o risco de infecções respiratórias e crises alérgicas”, destaca.

Quando procurar atendimento médico

Especialistas alertam que, diante de sintomas como tosse persistente, chiado no peito, falta de ar ou febre, é essencial buscar atendimento médico imediato. “Esses sinais podem indicar complicações graves, principalmente em pessoas com doenças respiratórias crônicas. O acompanhamento com pneumologista ou otorrinolaringologista é fundamental para evitar agravamento do quadro”, reforça Dra. Catharina.

Rinite alérgica: fatores pouco conhecidos

O tempo seco e a exposição a alérgenos podem agravar quadros de rinite alérgica, uma condição bastante comum e muitas vezes subestimada. A Dra. Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, explica que a rinite é uma inflamação da mucosa nasal causada, em grande parte, pelo contato com poeira, pólen, ácaros e pelos de animais. “Além dos fatores ambientais, a predisposição genética tem papel importante. Filhos de pais com rinite têm maior probabilidade de desenvolver a doença”, afirma.

Dra. Cristiane Passos Dias Levy

Curiosamente, a incidência da rinite é maior em mulheres, possivelmente devido a fatores hormonais e genéticos. A especialista também destaca que a condição pode surgir em qualquer idade e que o tratamento inclui medicamentos como anti-histamínicos, corticosteroides nasais e descongestionantes, além da imunoterapia específica, conhecida como vacina de alergia, que dessensibiliza o sistema imunológico ao longo do tempo. “Não existe cura, mas é possível controlar os sintomas e reduzir a necessidade de medicamentos a longo prazo”, esclarece.

Cuidados preventivos durante o tempo seco

Para minimizar os efeitos do clima seco, especialistas orientam medidas práticas:

  • Hidratação constante: beber água com frequência mantém as mucosas umedecidas e auxilia na defesa do organismo.
  • Uso de inalação e lavagem nasal: o soro fisiológico ajuda a aliviar o ressecamento das vias respiratórias e previne complicações como sangramentos nasais.
  • Evitar atividades físicas em horários críticos: entre 10h e 15h, a baixa umidade e a alta concentração de poluentes aumentam o risco de problemas respiratórios.
  • Controle ambiental: manter portas e janelas fechadas, usar umidificadores e baldes de água nos ambientes, além de reduzir a exposição a poeira e ácaros.
  • Vacinação atualizada: influenza e reforço da Covid-19 para grupos de risco são essenciais para prevenir complicações respiratórias.
  • Cuidados com pacientes alérgicos: manter o uso de dispositivos inalatórios e medicamentos prescritos, evitando crises.

O pneumologista Rodrigo Athanazio, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, reforça a importância desses cuidados: “O tempo seco, muitas vezes associado ao frio, faz com que as pessoas permaneçam em ambientes fechados, aumentando a circulação de vírus. Por isso, o uso de máscaras e a higiene das mãos continuam sendo medidas eficazes para prevenção de doenças respiratórias”.

O pneumologista Rodrigo Athanazio, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas

O período de estiagem e o aumento das queimadas impõem um desafio à saúde pública, exigindo atenção especial de médicos, pacientes e autoridades sanitárias. A combinação de baixa umidade, poluição e alérgenos aumenta a incidência de doenças respiratórias e torna imprescindível a adoção de medidas preventivas, acompanhamento médico regular e conscientização sobre os cuidados diários. A população deve estar atenta aos sinais de alerta, mantendo a hidratação, os tratamentos em dia e a vacinação atualizada, garantindo proteção e qualidade de vida mesmo nos períodos mais críticos do ano.

Com a conscientização e o cuidado individual, é possível atravessar os períodos de tempo seco e queimadas com menor impacto na saúde, prevenindo complicações e melhorando a qualidade de vida de toda a população.

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