O Ministério da Saúde iniciou, na última sexta-feira, dia 15, a implementação de um novo teste molecular para rastreamento do câncer do colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova tecnologia, 100% nacional, utiliza biologia molecular para identificar o DNA do papilomavírus humano (HPV), principal causador do câncer que ainda mata 20 mulheres por dia no Brasil. A medida faz parte do programa Agora Tem Especialistas e marca um avanço histórico para a saúde da mulher.
Inicialmente, o exame será ofertado em 12 unidades da federação, com previsão de expansão para todo o território nacional até o final de 2026. O novo teste detecta 14 genótipos do HPV de forma precisa, mesmo em mulheres assintomáticas, o que permite diagnóstico precoce e maior chance de cura.
“Estamos aproveitando a infraestrutura criada durante a pandemia para aplicar agora no diagnóstico do HPV. Isso reduz o tempo de espera e acelera o início do tratamento”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o lançamento da iniciativa no Hospital da Mulher do Recife (PE).
Tecnologia mais moderna e eficaz
O novo teste de DNA-HPV foi desenvolvido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, vinculado à Fiocruz. Ele substitui gradualmente o exame de Papanicolau, que continuará sendo utilizado apenas para confirmação de resultados positivos. Com maior sensibilidade, a tecnologia exige menos intervenções desnecessárias e permite que, com resultado negativo, o intervalo entre os exames aumente de três para até cinco anos.
Além disso, o mesmo material coletado pode ser usado para diferentes análises, mesmo quando o resultado inicial for inconclusivo, evitando a necessidade de nova coleta. A expectativa é de que o método beneficie 7 milhões de mulheres de 25 a 64 anos por ano quando estiver disponível em todo o país.
Iniciativa começa por 12 estados
A implementação começou por um município em cada um dos seguintes estados e no Distrito Federal: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Pará, Rondônia, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e DF. Esses locais foram escolhidos por já possuírem serviços de referência para exames como colposcopia e biópsia, garantindo o atendimento completo às pacientes com resultado positivo.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 5,6 milhões de mulheres devem ser alcançadas nos próximos cinco anos apenas nesses estados.
Estratégia nacional contra o câncer do colo do útero
O câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A maioria é causada pela infecção persistente por HPV, transmitido principalmente por contato sexual.
O novo exame integra o Plano Nacional de Enfrentamento do Câncer do Colo do Útero e será oferecido no âmbito do rastreamento organizado, uma estratégia na qual o SUS convida ativamente as mulheres a realizar o exame, por meio de agentes comunitários e equipes da atenção básica.
O público-alvo inclui mulheres cis, homens trans, pessoas não binárias, de gênero fluido ou intersexo com sistema reprodutor feminino, na faixa etária de 25 a 64 anos.
Autocoleta para populações vulneráveis
Uma inovação importante será a possibilidade de autocoleta do material ginecológico, orientada por profissionais de saúde. Essa modalidade será voltada a pessoas em situação de vulnerabilidade ou com dificuldade de acesso aos serviços, como mulheres em situação de rua, privadas de liberdade, refugiadas, negras, quilombolas, LGBTI+, entre outras.
O material coletado poderá ser entregue em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), facilitando o rastreio em locais remotos e populações com baixa adesão ao exame tradicional.
Suporte técnico e formação profissional
Para garantir a implementação do novo modelo, o Ministério da Saúde fornecerá kits de coleta, capacitação de profissionais, telepatologia, suporte diagnóstico à distância e modernização de laboratórios por meio do programa Super Centro para Diagnóstico do Câncer. A parceria envolve o INCA e o Hospital Israelita Albert Einstein, que também oferecerá cursos de citopatologia.
Investimentos em oncologia e novos equipamentos
Durante a visita a Pernambuco, o ministro Alexandre Padilha anunciou ainda a ampliação da estrutura de tratamento oncológico no estado. O Hospital Universitário Oswaldo Cruz receberá reforço na radioterapia e o PROCAPE terá um aumento de R$ 1,2 milhão por ano para modernização do laboratório de eletrofisiologia.
No Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), foi confirmada a entrega de um novo acelerador linear de R$ 10 milhões, que ampliará em 133% a oferta de radioterapia no prazo de 12 meses, por meio do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).
“Graças ao SUS e à colaboração entre estados e municípios, o Brasil está conseguindo fazer em tempo recorde o que países europeus levaram anos para implementar”, concluiu o ministro.




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