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Comunidade se une para reformar o túmulo do Monsenhor Durval de Almeida, símbolo da fé e da simplicidade 

Três anos depois do sepultamento do Monsenhor Durval de Almeida, figura central na história recente da Igreja Católica ituana, seu túmulo permanecia sem identificação, com estrutura deteriorada e sinais visíveis de abandono. A imagem contrastava com a memória que muitos guardam do sacerdote: um homem simples, bem-humorado, incansável na missão pastoral, cuja vida foi dedicada a construir e fortalecer comunidades de fé. Agora, fiéis e admiradores unem forças para prestar a última homenagem àquele que marcou gerações de paroquianos na cidade de Itu.

A mobilização pela reforma do túmulo teve início de forma discreta e afetiva, quando Juliano Christofoletti, morador de Itu, questionou sua mãe, Sueli, sobre onde estaria enterrado o Monsenhor Durval. “Ela me levou até o local. Ao chegar, encontramos um túmulo antigo, com estrutura comprometida e nenhuma identificação que remetesse à presença do Monsenhor ali. Nem nome, nem foto, nem placa. Minha mãe me olhou e perguntou: ‘Vamos reformar?’”, conta Juliano. A resposta foi imediata: sim. E, para isso, a família decidiu envolver toda a comunidade.

Com o apoio das irmãs Débora e Yara, e após obter as autorizações legais da Prefeitura Municipal de Itu e de um sobrinho do Monsenhor, que vive na capital paulista, o grupo iniciou uma campanha de arrecadação por meio da plataforma Vakinha. A meta é arrecadar R$ 15 mil para cobrir os custos da nova estrutura funerária em granito, placas de identificação e acabamento. Até o início de agosto, a arrecadação somava cerca de R$ 6,5 mil, valor ainda insuficiente para concluir a obra iniciada no mês de junho.

A iniciativa, segundo Juliano, não tem vínculos institucionais com paróquias ou com a Diocese. “É um gesto espontâneo de pessoas que conheceram o Monsenhor, conviveram com ele, e acreditam que ele merece uma homenagem digna. Não é uma questão estética, mas de memória e respeito”, explica.

Quem foi Monsenhor Durval?

Nascido em Itu no dia 15 de junho de 1936, Durval de Almeida foi ordenado presbítero em 30 de junho de 1968, iniciando sua missão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Guarulhos, onde permaneceu por duas décadas. Em 1988, retornou à sua cidade natal com a missão de criar e estruturar a recém-fundada Paróquia São Camilo de Léllis. Ali, ergueu uma comunidade pautada pela caridade, pela presença próxima dos fiéis e pela formação espiritual.

Durante 11 anos, consolidou a nova paróquia e ficou conhecido por seu jeito afável e acessível, com forte apelo popular. Depois, assumiu a Paróquia Matriz de Nossa Senhora da Candelária, onde permaneceu por mais 12 anos. Também foi reitor do Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus (Igreja do Bom Jesus), uma das mais tradicionais da cidade, e capelão da Igreja Nossa Senhora do Patrocínio.

Em 2003, foi agraciado com o título de Monsenhor, honraria concedida por Dom Amaury Castanho, então bispo diocesano de Jundiaí, em reconhecimento à sua trajetória sacerdotal. A homenagem não alterou seu comportamento modesto e profundamente comprometido com os valores cristãos. Desapegado de bens materiais, partilhava tudo o que recebia e costumava repetir que o sacerdócio era serviço, e não status.

Mesmo em sua aposentadoria, Monsenhor Durval manteve o ritmo pastoral. Aos 82 anos, celebrava missas, visitava paroquianos e promovia ações como a “Oração em Família”, encontro semanal nas casas de fiéis em diferentes bairros da cidade. Em 2020, passou a viver na Casa dos Presbíteros São João Maria Vianney, em Jundiaí, onde permaneceu até sua morte, em 2 de novembro de 2021.

Seu sepultamento foi realizado no dia seguinte, após missa de corpo presente presidida por Dom Vicente Costa, então bispo diocesano, na Igreja Matriz da Candelária. Como era desejo da família, foi enterrado no jazigo dos pais e da irmã, no Cemitério Municipal de Itu. Desde então, nenhuma homenagem oficial foi realizada.

Um legado de fé e proximidade

Para quem conviveu com Monsenhor Durval, a ausência de qualquer sinalização em seu túmulo era um incômodo silencioso. “É como se sua história tivesse sido esquecida. Mas sabemos que isso não é verdade. Ele vive em cada família que ajudou, em cada comunidade que criou, em cada celebração em que marcou presença com aquele jeito todo particular de ser padre e amigo ao mesmo tempo”, afirma Juliano.

A proposta da reforma é simples, mas simbólica. O novo túmulo será revestido com granito, terá placas de identificação e espaço para visitação. A expectativa é concluir a obra até a segunda quinzena de agosto, respeitando prazos de execução e recursos disponíveis. Caso a arrecadação ultrapasse o valor necessário, o excedente será doado ao Lar dos Idosos da Vila Vicentina, instituição que também contava com o apoio do Monsenhor.

“Não fazemos isso por vaidade ou por estética. É pela dignidade da memória. Um homem que se doou tanto não pode ser esquecido de forma silenciosa. Monsenhor Durval formou uma geração de católicos em Itu. É justo que essa geração agora se mobilize para honrar sua história”, diz Juliano.

Como ajudar?

As doações podem ser feitas de forma prática pela internet, por meio do link da vaquinha: www.vakinha.com.br/vaquinha/reforma-do-tumulo-do-monsenhor-durval-de-almeida

A chave PIX também está disponível: v5564134@vakinha.com.br

“Qualquer valor é bem-vindo. O importante é participarmos juntos dessa homenagem. Essa reforma não é minha, nem da minha família. É da comunidade ituana, dos amigos, dos fiéis que se sentiram tocados por ele em algum momento da vida”, finaliza Juliano.

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