Com investimento total previsto de R$ 350 milhões e participação ativa de quatro municípios da região, a Barragem do Ribeirão Piraí é considerada uma das obras mais estratégicas para garantir o abastecimento de água mesmo em períodos de estiagem prolongada.
As obras da barragem, localizada entre Itu e Salto, foram oficialmente retomadas após um período de paralisação causado por entraves ambientais. O projeto, considerado essencial para a segurança hídrica da região, deve beneficiar diretamente mais de 700 mil pessoas nos municípios de Itu, Salto, Indaiatuba e Cabreúva, todos integrantes do Consórcio Intermunicipal do Ribeirão Piraí (Conirpi), responsável pela coordenação da obra.
Com capacidade estimada para armazenar cerca de 10 bilhões de litros de água, a barragem terá 386 metros de comprimento e 15 metros de altura. A estrutura será capaz de garantir o abastecimento mesmo durante estiagens severas, oferecendo estabilidade ao sistema hídrico e ampliando a autonomia dos municípios frente às mudanças climáticas.
A primeira fase da obra, iniciada em março de 2025, deve ser concluída em até 16 meses, com previsão de término entre maio e julho de 2026. Já a segunda etapa, ainda em fase de captação de recursos, deverá levar aproximadamente 20 meses. O investimento estimado total é de R$ 350 milhões, sendo R$ 70 milhões do Governo do Estado de SP, R$ 50 milhões da União via PAC 2, e os demais valores financiados pelos municípios consorciados. A segunda fase depende de novo aporte de R$ 230 milhões, atualmente em negociação em Brasília.
Paralisação ambiental e retomada com condicionantes
A obra havia sido paralisada em função da presença de espécies da fauna protegidas na região da construção. Um acordo firmado com o Ibama, em fevereiro de 2025, permitiu a retomada dos trabalhos, oficialmente liberados em maio, mediante exigências ambientais rigorosas e um plano de mitigação de impactos.
O projeto ambiental prevê manejo e monitoramento da fauna, controle de espécies híbridas, preservação da vegetação nativa e controle de processos erosivos.
De acordo com a Prefeitura de Itu, que participa ativamente do consórcio, todo o processo está sendo conduzido com base em pareceres técnicos e acompanhamento dos órgãos ambientais competentes. A Companhia Ituana de Saneamento (CIS) atua em conjunto na fiscalização e execução das ações ambientais.
Papel da Prefeitura de Itu
Além de ser diretamente beneficiada, Itu exerce papel de destaque na coordenação do projeto. A Prefeitura participa de visitas técnicas de monitoramento, acompanha o cronograma da obra e articula politicamente junto a órgãos financiadores e de regulação.
Para o prefeito de Itu, Herculano Passos, a barragem representa um marco para a região:
“Essa obra é, sem dúvida, fundamental para garantir segurança hídrica. Vai permitir a captação de água, principalmente na época da estiagem, quando para de chover e os reservatórios secam. Com esse novo sistema, as cidades poderão se desenvolver com mais segurança, atrair empresas e crescer com estrutura.”
Segundo o prefeito, Itu também investe em outras ações para enfrentar a estiagem: troca de redes antigas, aumento na capacidade de bombeamento da represa do Mombaça (divisa com Araçariguama) e reativação de poços artesianos anteriormente inutilizados.
Segurança hídrica e impacto regional
A barragem deve oferecer estabilidade no abastecimento de água, com previsão de regularizar uma vazão de cerca de 1,3 m³/s, o que pode sustentar parte significativa da demanda da região em longas estiagens.
Nos últimos anos, Itu enfrentou fortes períodos de escassez, com queda na vazão dos mananciais. A instabilidade climática afeta diretamente a regularidade dos serviços, reforçando a urgência da obra.
Com cerca de 80% da bacia do Ribeirão Piraí localizada em Salto, a barragem se torna também um elemento de integração entre os municípios, alinhado ao Plano das Bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que orienta a gestão hídrica regional.
Transparência e acompanhamento
A Prefeitura de Itu informa que os moradores podem acompanhar os avanços da obra por meio dos canais oficiais do Conirpi, da CIS e do próprio site da administração. Também são divulgados boletins periódicos e promovidas visitas técnicas abertas a jornalistas e sociedade civil para garantir transparência.
Quanto ao impacto financeiro, a administração afirma que o investimento é consorciado, com forte presença de verbas estaduais e federais. Até o momento, não há previsão de aumento nas tarifas ou comprometimento significativo do orçamento local.
Planejamento climático e visão de futuro
A construção da barragem integra o planejamento regional de enfrentamento às mudanças climáticas. Além da reserva de água, inclui ações como reflorestamento, controle de erosão e preservação da biodiversidade.
Itu também atua em medidas complementares, como perfuração de novos poços, modernização da rede de distribuição e incentivo ao reuso de água no setor comercial e industrial.
A expectativa é que a barragem se torne a principal estrutura hídrica da região, viabilizando o crescimento ordenado dos municípios com base em uma fonte segura e sustentável.
Enquanto a primeira fase segue dentro do cronograma, o Conirpi já articula os recursos necessários à segunda etapa. A prefeita de Cabreúva, Noemi Bernardes (presidente do consórcio), e o prefeito de Itu, Herculano Passos (vice-presidente), destacam a obra como exemplo de cooperação regional, com potencial para inspirar outros projetos nas áreas de mobilidade, saúde e meio ambiente.




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