Secreção ocular, olhos vermelhos e desconforto persistente podem ser sinais de uma condição séria em cães: a síndrome do olho seco, ou ceratoconjuntivite seca. De acordo com Dr. Heitor Fioravanti, médico-veterinário especializado em oftalmologia, essa condição ocorre devido à diminuição ou má qualidade das lágrimas, essenciais para proteger e nutrir a superfície ocular dos pets.
“A lágrima atua como uma camada protetora e nutritiva da superfície ocular. Sua ausência traz muitas consequências negativas para os olhos”, alerta o Dr. Fioravanti.
Causas do Olho Seco
As causas do olho seco podem ser diversas. Em muitos casos, envolve predisposição genética, especialmente em raças específicas, como problemas anatômicos dos olhos e pálpebras ou doenças sistêmicas. No entanto, o fator mais comum é o autoimune, onde o próprio organismo do animal ataca e destrói as glândulas lacrimais responsáveis pela produção da lágrima.
O Frio Pode Agravar a Condição?
Sim, o inverno pode ser um agravante para a saúde ocular dos cães. “No inverno, a umidade do ar é menor, favorecendo o ressecamento da pele e dos olhos”, explica o Dr. Fioravanti. As raças com olhos mais expostos, como Shih Tzu, Pug, Bulldog, Lhasa Apso, Chihuahua e Cavalier, são as mais afetadas devido a fatores genéticos e anatômicos que facilitam a evaporação das lágrimas e a menor produção lacrimal. Gatos persas, exóticos e aves como calopsitas e papagaios também podem ser afetados.
Sinais de Alerta
O principal sinal do olho seco é a secreção ocular e o olho vermelho. Muitos tutores confundem com simples irritação, mas esses sintomas podem ser o início do olho seco. “Não é normal a formação de secreção ocular ou olho vermelho. Procure sempre um atendimento oftálmico”, alerta o Dr. Fioravanti. A falta de diagnóstico precoce pode levar a casos avançados, com úlceras e pigmentação corneana, o que causa dor e compromete a visão do animal.
Raças Mais Suscetíveis e Prevenção

Raças braquicefálicas, como Shih Tzu, Pug, Bulldog, Lhasa Apso, Chihuahua e Cavalier, estão entre as mais predispostas ao olho seco. Cães alérgicos, diabéticos ou em tratamento oncológico também têm maior risco de desenvolver a condição.
A prevenção é fundamental para evitar o agravamento da doença, especialmente no inverno. Evitar a exposição excessiva e direta a ar-condicionado, aquecedores e ventiladores – ou passeios de carro com a cabeça do animal para fora – são medidas essenciais para reduzir a evaporação das lágrimas. Para as raças predispostas, consultas oftalmológicas anuais são recomendadas para diagnóstico precoce e, se necessário, a prescrição de colírios preventivos.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico do olho seco é feito com base nos sinais clínicos observados e exames oftalmológicos específicos que avaliam a superfície ocular, bem como a quantidade e qualidade do filme lacrimal. O tratamento pode ser clínico, com o uso de colírios lubrificantes ou até cirúrgico, dependendo da causa. O Dr. Fioravanti explica que, no caso de raças como o Shih Tzu, alterações anatômicas podem agravar o quadro, necessitando de correção cirúrgica.
“Cães da raça Shih Tzu, por exemplo, podem ter olhos muito expostos e pelos que tocam a córnea. Nessas situações, o tratamento cirúrgico é essencial para a qualidade de vida do animal”, explica o especialista.
Além disso, existem técnicas modernas para facilitar o tratamento, como implantes conjuntivais de medicamentos de liberação lenta ou cirurgias para desvios de ductos, que aumentam a lubrificação ocular.
Complicações e Consequências
Se não tratada, a síndrome do olho seco pode resultar em complicações graves, como úlceras de córnea e até perfuração ocular. Também está associada à ceratite pigmentar, que causa a perda da transparência da córnea e, em casos avançados, pode prejudicar a visão e até levar à cegueira.
Cuidados Especiais no Inverno
Durante o inverno, além de evitar a exposição direta ao calor de aquecedores, o uso diário de colírios lubrificantes, sempre prescritos pelo médico-veterinário, é essencial. Ao notar secreção ocular, olhos vermelhos, irritação ou olhos fechados, procure imediatamente um atendimento oftálmico. Identificar precocemente os sinais de olho seco melhora significativamente o prognóstico do animal.
Dr. Heitor Fioravanti
Médico-Veterinário pela UNESP / Araçatuba
Residência em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais pela USP / SP
Especialização em Oftalmologia Veterinária pela UFAPE / SP (em curso)
Proprietário da Clínica Dr. Niva e Cia.



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