Sete anos após o crime que chocou a cidade, quatro pessoas foram detidas; investigação aponta disputa patrimonial e indica cunhada da vítima como possível mandante
A Polícia Civil prendeu, nesta segunda-feira (16), quatro suspeitos de envolvimento no assassinato da empresária Rosana Maria Bragagnolo, de 54 anos, executada a tiros dentro de sua loja de cerâmica em Itu, em junho de 2018. A ação foi coordenada pela Divisão de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e marca um avanço significativo no caso, que permaneceu sem desfecho por quase sete anos.
Os mandados de prisão temporária foram cumpridos em Itu e em São Paulo. Os suspeitos – três homens e uma mulher – foram encaminhados à Delegacia de Polícia de Itu, passaram por audiência de custódia e, posteriormente, transferidos para a capital paulista, onde permanecem em prisão provisória. Uma mulher de 74 anos, identificada como cunhada da vítima, está foragida e é apontada como possível mandante do crime.
Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por questões patrimoniais envolvendo desavenças familiares. Rosana era proprietária da tradicional Cerâmica Ituana, fundada em 1966 por seu pai, Roque Bragagnolo. Ela administrava o negócio havia mais de duas décadas, mantendo viva a história da família no setor ceramista da cidade.
Execução a sangue frio
O assassinato ocorreu em 11 de junho de 2018, por volta das 15h. De acordo com testemunhas, dois homens chegaram ao estabelecimento em uma motocicleta, renderam uma funcionária e se dirigiram diretamente ao escritório onde estava Rosana. Sem anunciar assalto, um dos suspeitos atirou quatro vezes contra a empresária, atingindo cabeça, boca e tórax. Os criminosos fugiram sem levar nada; dinheiro e objetos de valor permaneceram intactos no local.
A frieza do ataque e a ausência de roubo reforçaram, desde o início, a hipótese de execução premeditada. O crime aconteceu justamente na data que marcava o aniversário de morte do irmão de Rosana e do falecimento de seu pai, um detalhe considerado simbólico por pessoas próximas à vítima e investigado pela polícia como possível indicativo de motivação emocional.
Desdobramentos da investigação
Após anos de silêncio no caso, a reabertura da investigação levou à coleta de novos depoimentos e à análise de provas que haviam sido arquivadas. A Polícia Civil chegou aos suspeitos com base em contradições nos relatos, movimentações financeiras e possíveis interesses em heranças e bens familiares.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam celulares, documentos e objetos que serão periciados. A polícia não descarta a possibilidade de novas prisões. A suspeita de 74 anos, considerada peça-chave na trama, ainda não foi localizada.
A prisão dos envolvidos reacende o clamor por justiça entre familiares, amigos e moradores de Itu. Rosana era conhecida pelo perfil reservado e pela dedicação ao trabalho. Sua morte, além de brutal, deixou uma lacuna no meio empresarial da cidade e abalou a comunidade local.
Justiça em andamento
Com os suspeitos detidos, o inquérito deve ser finalizado nos próximos dias e encaminhado ao Ministério Público. A Justiça decidirá se converterá as prisões temporárias em preventivas. A investigação segue em andamento e o caso é tratado como homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe e possível coautoria.
Sete anos após o crime, a operação representa um importante avanço para a elucidação de um dos casos de homicídio mais marcantes da história recente de Itu.



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