Cobertura vacinal cresce no Brasil, mas especialistas alertam para a importância da informação e do combate à hesitação
Nesta segunda-feira, 9 de junho, o Brasil celebra o Dia Nacional da Imunização, uma data fundamental para reforçar o papel das vacinas como uma das mais eficazes estratégias de prevenção em saúde pública. Instituída para lembrar os avanços conquistados por meio da imunização, a data representa o compromisso coletivo com a proteção da sociedade, especialmente em tempos de hesitação vacinal e reemergência de doenças controladas.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o país registrou um crescimento expressivo na cobertura de 15 das 16 vacinas do calendário infantil entre 2022 e 2024. A vacina contra poliomielite ultrapassou os 90% de cobertura em algumas regiões, e a tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) passou dos 96%. Apesar disso, nem todas as metas ideais de 95% foram alcançadas, o que mantém o alerta entre os profissionais de saúde.
A vacinação segue sendo a principal forma de prevenir doenças que ainda circulam no Brasil, como sarampo, coqueluche, hepatite B e gripe. Quando uma parte significativa da população está vacinada, a transmissão dos vírus e bactérias diminui — protegendo também quem, por motivos médicos, não pode ser imunizado. É o chamado efeito de imunidade coletiva, que beneficia toda a comunidade.
A médica alergista e imunologista Dra. Érica Aguiar destaca que manter o calendário vacinal atualizado é mais do que uma decisão individual: é um ato de responsabilidade social. “A vacinação é um direito, um ato de amor e um compromisso com a vida. Graças a ela, erradicamos doenças como a varíola e conseguimos controlar muitas outras. Mas essa proteção só se mantém com o esforço contínuo de todos”, afirma.
Na prática, o receio com possíveis reações ainda é uma das principais causas de hesitação, especialmente entre pais de crianças pequenas. A arquiteta Karen Brussi Sperling Misfeldt, mãe da Manuela (7) e da Micaela (5), lembra que teve dúvidas no início, mas o acesso à informação confiável fez toda a diferença:
“Vacinas salvam vidas. No início eu tive receio das reações, como febre ou mal-estar. Mas com orientação da pediatra e informação correta, entendi que o benefício da proteção é muito maior.”
A experiência da vendedora Amanda Lourenço da Costa Silva, mãe da pequena Alice (1), também ilustra essa preocupação comum:
“As vacinas dos primeiros meses são fortes e causaram reações, como febre e vermelhidão. Mas com paciência, banho morno e orientação, conseguimos lidar. Hoje sei que é o melhor a fazer.”
Ambas destacam a importância de acesso à informação de qualidade para tomar decisões conscientes. A Dra. Érica reforça que um dos maiores desafios da atualidade é justamente a desinformação, muitas vezes disseminada pelas redes sociais. “Infelizmente, temos visto crescer a hesitação vacinal causada por fake news e teorias sem base científica. Isso compromete décadas de avanços em saúde pública. Precisamos combater esse cenário com diálogo e educação”, alerta.
Além das dúvidas, a médica destaca outras barreiras, como o esquecimento do calendário vacinal por parte de adultos e as dificuldades de acesso aos serviços. “Horários restritos, distância das unidades de saúde e falta de orientação específica dificultam que muitos adultos se vacinem”, explica.
O fato é que vacinas continuam essenciais em todas as fases da vida. Para adultos, por exemplo, são recomendadas vacinas como tríplice viral, hepatite B, dT (difteria e tétano), febre amarela, gripe e COVID-19. Já para idosos e pessoas com comorbidades, incluem-se ainda as vacinas contra pneumonia (pneumocócica 20) e herpes-zóster. A recomendação da especialista é que todos consultem seu cartão de vacinação com regularidade e, em caso de dúvida, procurem orientação médica.
Com a chegada do inverno, aumentam os riscos de doenças respiratórias, como gripe e pneumonia. Campanhas do SUS têm incentivado a população a se proteger com antecedência, evitando que essas infecções se agravem, principalmente em grupos vulneráveis como crianças, idosos e imunossuprimidos.
Um ponto que pode gerar confusão é a diferença entre as vacinas do calendário nacional e as chamadas “vacinas para alergia”. A Dra. Érica esclarece: “As vacinas tradicionais são desenvolvidas para prevenir doenças infecciosas e estão disponíveis gratuitamente pelo SUS ou em clínica particular de vacinação. Já o que chamamos de ‘vacinas para alergia’, na verdade, fazem parte de um tratamento chamado imunoterapia alérgeno específica, voltado para doenças como rinite, asma ou alergia a insetos. Elas são personalizadas e consistem na aplicação de doses progressivas da substância causadora da alergia para ensinar o organismo a tolerá-la com o tempo.”
Ou seja, embora o nome gere confusão, o objetivo e o funcionamento dessas duas abordagens são totalmente distintos: uma previne infecções virais e bacterianas; a outra trata reações alérgicas específicas.
Coordenado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 1973, o calendário brasileiro de vacinação é considerado referência mundial. Ele contempla vacinas para todas as faixas etárias, desde o nascimento até a terceira idade — todas oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
Neste Dia Nacional da Imunização, a mensagem é clara: vacinar-se é um gesto de cuidado, de proteção e de responsabilidade com o coletivo. Verifique seu cartão de vacinas, atualize a caderneta da família e compartilhe informação confiável. Afinal, vacinas salvam vidas — e isso não pode ser esquecido.



Karen Brussi Sperling Misfeldt, Amanda Lourenço da Costa Silva e Dra. Érica Aguiar



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