Enquanto cidades vizinhas como Itu e Indaiatuba avançam no cenário nacional de desenvolvimento socioeconômico, Salto segue na contramão. Os dados atualizados do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), divulgados na última semana, revelam um retrocesso alarmante: entre 2013 e 2023, o município despencou 504 posições no ranking dos municípios mais desenvolvidos do Brasil, caindo da 229ª para a 733ª colocação.
O IFDM avalia o progresso das cidades brasileiras com base em três pilares essenciais: Emprego & Renda, Saúde e Educação. Com nota geral de 0,7482, Salto é hoje classificada como cidade de desenvolvimento moderado — faixa que compreende notas entre 0,6 e 0,8. O que chama atenção, no entanto, é que mesmo dentro dessa faixa, o município apresenta desigualdades marcantes entre os indicadores: 0,7626 em Educação, 0,6094 em Saúde e 0,8726 em Emprego e Renda.
O dado mais preocupante é o da Saúde. Com nota próxima do mínimo da faixa de desenvolvimento moderado, o índice revela deficiências que impactam diretamente a qualidade de vida da população — algo que vai muito além das estatísticas e se reflete no dia a dia de quem depende do sistema público de saúde local.
O cenário se torna ainda mais desconfortável quando se olha para os municípios vizinhos. Itu, por exemplo, subiu da 112ª posição em 2013 para a 57ª em 2023 — um salto de 55 posições. Já Indaiatuba, que já figurava entre as melhores do país, saiu da 16ª colocação para a 5ª posição nacional, consolidando-se como uma referência de desenvolvimento urbano, social e econômico.
A diferença nos trajetos das três cidades, que compartilham localização geográfica e características socioeconômicas semelhantes, levanta uma pergunta inevitável: o que Salto deixou de fazer nos últimos dez anos?
Falta de planejamento e continuidade?
Especialistas apontam que retrocessos como esse costumam estar associados a falhas na gestão pública, falta de planejamento estratégico de longo prazo, descontinuidade de políticas públicas e má aplicação de recursos em áreas essenciais. Em um contexto onde a população cresceu e as demandas sociais se intensificaram, a estagnação — ou pior, o retrocesso — torna-se um sinal de alerta.
Com eleições municipais se aproximando, os números do IFDM trazem à tona um debate urgente sobre as prioridades da cidade e a necessidade de revisão profunda dos rumos administrativos. O desafio para os futuros gestores será reverter essa tendência e recolocar Salto em um caminho de desenvolvimento sustentável e equilibrado.
Enquanto isso, os moradores seguem esperando por melhorias concretas — especialmente na saúde, que hoje representa o calcanhar de Aquiles de um município que já figurou entre os 250 mais desenvolvidos do país, mas que agora, amarga uma colocação que está longe de refletir seu verdadeiro potencial.



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