Ir ao supermercado tem sido, para muitos moradores de Salto, um exercício de paciência e cálculo minucioso. Nos últimos anos, os preços dos itens mais essenciais da cesta básica subiram de forma alarmante, impactando diretamente o bolso de quem vive na cidade. Alguns produtos apresentaram aumento de até 157%, refletindo uma escalada de preços que já não surpreende, mas continua revoltando a população.
Entre os exemplos mais gritantes está o arroz tipo 1, alimento indispensável no prato dos brasileiros. Em 2017, o pacote de 5 kg podia ser encontrado por R$ 7,99 em Salto. Hoje, o mesmo produto dificilmente sai por menos de R$ 17,50 – um aumento de mais de 119%. E ele não está sozinho: feijão, óleo de soja, leite, açúcar e outros itens básicos também mais que dobraram de preço no mesmo período.
A situação evidencia um desequilíbrio preocupante entre o custo de vida e os salários, que não acompanharam a mesma velocidade de reajuste. O salário mínimo, por exemplo, teve aumento de pouco mais de 50% desde 2017, enquanto os alimentos saltaram para patamares muito superiores, corroendo o poder de compra das famílias e ampliando a sensação de insegurança alimentar.
Em um cenário de inflação acumulada, desemprego e queda no consumo, o impacto é ainda mais sentido por quem ganha pouco e depende da oferta mais barata possível para manter a alimentação da casa. Muitos consumidores relatam que estão deixando produtos fora do carrinho, substituindo marcas ou mesmo reduzindo a quantidade de compras para conseguir equilibrar as contas do mês.
A alta nos preços não se restringe a marcas premium ou importadas: até os itens mais simples, considerados de necessidade básica, subiram de forma desproporcional. E diante da ausência de medidas mais eficazes de controle e incentivo à produção e distribuição interna, a expectativa é que os preços sigam pressionando o orçamento doméstico nos próximos meses.



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