A catarata, condição que afeta a lente ocular tornando-a opaca, também é uma realidade comum entre os animais de estimação. Cães e gatos podem desenvolver a doença ao longo da vida, com sinais perceptíveis no comportamento e na aparência dos olhos. Segundo o médico-veterinário oftalmologista Heitor Fioravanti, da Clínica Dr. Niva, a cirurgia para tratar a catarata é o único tratamento eficaz e tem altos índices de sucesso.
Sinais de alerta para os tutores
Os primeiros indícios de catarata geralmente são notados pelos tutores quando os olhos do animal começam a apresentar uma coloração esbranquiçada. Além disso, mudanças comportamentais, como tropeços, dificuldade para subir ou descer escadas, e desorientação em ambientes familiares, são comuns. “A queixa principal geralmente é a de que os olhos estão ficando brancos. Mas também é comum o animal começar a bater a cabeça em móveis ou descer o sofá com mais cautela”, explica Dr. Heitor.
Diagnóstico e indicação cirúrgica
Nem todos os casos de catarata são iguais. A doença pode ter origem genética (primária), especialmente em animais jovens, ou surgir como consequência de outras condições, como diabetes, traumas ou infecções oculares (catarata secundária).
O diagnóstico correto é essencial e deve ser feito por um especialista. “É necessário confirmar se é catarata ou uma condição parecida, como a esclerose da lente, além de avaliar o estágio da doença. Dependendo da evolução, o procedimento pode ser programado ou apenas acompanhado por um tempo”, destaca o especialista.
A cirurgia e seus detalhes
A técnica utilizada atualmente é a mesma aplicada em humanos: a facoemulsificação. O procedimento consiste na fragmentação e remoção do cristalino opaco, seguido da colocação de uma lente intraocular. No entanto, algumas peculiaridades exigem atenção. “A catarata nos cães é, em geral, mais dura do que a dos humanos. A gente compara com um ovo: nos humanos, é como um ovo cru; já nos cães, é como um ovo cozido, o que torna a cirurgia mais desafiadora”, compara o médico-veterinário.
Antes da cirurgia, o animal passa por uma bateria de exames, como o ultrassom ocular e a eletrorretinografia, que avalia a função da retina. A cirurgia é feita sob anestesia geral, o que demanda também a avaliação do estado de saúde geral do pet.
Pós-operatório e recuperação
A recuperação exige cuidado e comprometimento por parte dos tutores, especialmente nos primeiros dias. O uso de colírios é frequente, e o animal precisa usar colar elisabetano por até 15 dias para evitar coçar os olhos. A aplicação correta da medicação e os retornos regulares ao veterinário são fundamentais para o sucesso do tratamento.
Expectativa de sucesso
Com o avanço da medicina veterinária oftalmológica, as chances de recuperação são animadoras. “Geralmente, 90% dos animais recuperam a visão após a cirurgia. Mas, claro, isso depende do estágio da catarata, da presença de outras doenças oculares, como glaucoma ou alterações na retina”, explica o Dr. Heitor.
A cirurgia de catarata em cães e gatos é, hoje, uma realidade segura e eficaz, devolvendo qualidade de vida e autonomia aos animais. Para os tutores, observar os sinais e buscar atendimento especializado são os primeiros passos para garantir a saúde ocular de seus companheiros.
Clínica Dr. Niva Veterinário
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