A Estância Turística de Salto vive um momento de transformação. Em meio ao crescimento expressivo do setor turístico nos últimos anos, com números que impressionam até mesmo os mais céticos, uma nova proposta promete acelerar ainda mais esse desenvolvimento: a concessão técnica do Planetário de Salto à iniciativa privada.
A sugestão partiu do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), que propõe à Prefeitura uma alternativa para viabilizar a abertura e operação do espaço – hoje, pronto em termos de infraestrutura física, mas ainda sem condições efetivas de funcionamento.
Projetado inicialmente como uma Parceria Público-Privada (PPP), o Planetário nasceu de um acordo entre o ex-prefeito Laerte Sonsin Jr. e o empresário Natale Dalla Vecchia (in memoriam). Coube ao setor privado a construção do prédio e a aquisição de equipamentos de alta tecnologia. Já à Prefeitura, ficaram as etapas de preparação do entorno e, principalmente, a responsabilidade de garantir a operação técnica do espaço – o que ainda não se concretizou.
Hoje, o que se vê é um equipamento moderno, finalizado, mas sem acesso viário adequado, ainda sem rede de saneamento – funcionando com uma fossa séptica – e, sobretudo, sem a equipe técnica especializada necessária para colocar o espaço em funcionamento. Faltam astrônomos, operadores de projetores óptico-mecânicos, monitores, professores, técnicos para telescópios, além das equipes de limpeza e segurança.
Um novo caminho: concessão técnica
A proposta do COMTUR surge como uma resposta prática e estratégica à paralisia do projeto. A ideia é conceder a gestão técnica do Planetário a empresas especializadas na operação de centros de ciência e astronomia, sem abrir mão da fiscalização e do controle por parte do poder público.
“O Planetário tem potencial para se tornar uma das principais atrações do estado de São Paulo. Mas, para isso, precisa sair do papel. Precisamos deixar o idealismo de lado e agir com pragmatismo e visão empreendedora”, afirma um dos membros do COMTUR.
A concessão prevê a possibilidade de cobrança de ingressos, com políticas de isenção para escolas públicas e grupos prioritários, algo comum em equipamentos semelhantes pelo país. O modelo já é praticado com sucesso em outras cidades e pode garantir a sustentabilidade financeira da operação, além de aliviar os cofres públicos.
Turismo em ascensão
A proposta do COMTUR não acontece em um vácuo. Ela acompanha o forte crescimento do turismo em Salto, que já acumula um aumento de 150% no número de visitantes desde 2023. Apenas o Parque Rocha Moutonnée recebeu 410 mil visitantes entre outubro de 2023 e março de 2025 – número que pode ser superado pelo Planetário quando em pleno funcionamento.
De acordo com projeções para 2025, o turismo doméstico deve crescer 5,5% em relação ao ano anterior, impulsionado por destinos com boa estrutura e experiências educativas – como é o caso do Planetário.
O turismo como motor econômico
O Dia Nacional do Turismo, comemorado em 8 de maio, é um lembrete da importância estratégica do setor. Mais do que lazer, o turismo movimenta milhões de reais, gera empregos, fomenta a inclusão e valoriza a diversidade cultural. Salto tem mostrado que entende essa lógica – e agora busca um novo salto de qualidade com a viabilização do Planetário.
A proposta de concessão técnica não é uma renúncia de responsabilidade do poder público, mas sim uma nova forma de gestão, mais ágil e qualificada, em sintonia com os desafios e as oportunidades do século 21. Para quem ainda duvida do turismo como vetor de desenvolvimento, talvez esteja na hora de rever essa visão.




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