O diagnóstico precoce é essencial para a evolução positiva do tratamento do câncer de mama. Entretanto, um estudo publicado neste ano pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) comprova aumento de cerca de 26% nos estágios mais graves da doença. A partir da análise de dados do Data SUS, do Ministério da Saúde, foi detectada a redução no número de mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos períodos mais críticos da pandemia, o que desencadeou novas ocorrências. Neste cenário, o Outubro Rosa é essencial para disseminar informação e conscientizar a população sobre a prevenção.
Para falar sobre os sinais da doença, detecção precoce e tratamento, a Dra. Camila Nassif, da OncoItu e OncoIndaiá concedeu entrevista ao Jornal Agora Itu.
Quais são os sinais e sintomas que as mulheres devem estar atentas em relação ao câncer de mama?
O sintoma mais comum do câncer de mama é a detecção de um nódulo ou massa palpável na mama. E aqui lembramos da grande importância do autoexame de mama que deve ser feito regularmente por todas as mulheres. Outros sintomas que podem acontecer são: dor na mama persistente, alteração da coloração e textura da pele da mama, saída de secreção escurecida ou sanguinolenta do mamilo, retração do mamilo ou linfonodos aumentados na região das axilas. Na presença de algum desses sintomas, uma avaliação médica deve ser realizada.
Qual a importância da detecção precoce do câncer de mama? Como é feito o diagnóstico?
O exame de escolha para rastreamento do câncer de mama é a mamografia e ela é indicada para mulheres a partir de 40 anos, anualmente. É um exame de simples execução, baixo custo e que deveria estar disponível para essa população alvo de forma ampla. O objetivo principal das campanhas de rastreamento é identificar nódulos suspeitos em pacientes que não apresentam sintomas ou sinais da doença. O resultado alterado de uma mamografia levanta uma suspeita forte ou fraca de que aquela alteração encontrada possa ser um câncer, mas a confirmação diagnóstica de uma lesão neoplásica só temos com o resultado de uma biópsia.
Os dados sobre o rastreamento adequado nos mostram um grande impacto inclusive na mortalidade dessas mulheres diagnosticadas precocemente, ou seja, literalmente a mamografia salva vidas.
Quais são os avanços mais recentes no tratamento do câncer de mama?
No maior evento de oncologia do mundo, na ASCO, neste ano tivemos alguns destaques referentes a novas opções de tratamentos para alguns cenários. Para a doença inicial, destacamos o uso do Ribociclibe na terapia adjuvante no estudo NATALEE que demonstrou redução de 25% da recorrência invasiva para a população com doença hormônio positiva / HER-2 negativa. Existe uma classe de terapia chamada ADC (anticorpo droga-conjugada) que está ganhando cada vez mais espaço no arsenal terapêutico para diversos tumores. O Sacituzumabe govitecan com benefício já conhecido para câncer de mama metastático triplo negativo, aumentou sobrevida em pacientes também com câncer avançado com receptores hormonais positivos e deve ser incorporado em breve na nossa prática clínica.
Como a prevenção do câncer de mama está relacionada ao estilo de vida?
Sabemos que muitos casos de câncer de mama podem ser evitados quando combatemos os fatores de risco modificáveis. São hábitos de vida que podem ajudar a diminuir os casos dessa doença: praticar atividade física regularmente (ideal são pelo menos 150 minutos por semana), adotar uma alimentação saudável, evitar alimentos ultraprocessados (embutidos, linguiça, salsicha, bacon, alimentos com alto teor de conservantes), evitar o tabagismo (ativo e passivo) e não abusar no consumo de bebidas alcoólicas. Manter um percentual de gordura corporal dentro da normalidade, evitando a obesidade ou sobrepeso, que é um fator de risco bem estabelecido para câncer de mama positivo para receptores hormonais. Estudo recente apresentado no Congresso Americano de Oncologia de 2023 aponta a relação entre obesidade e câncer de mama em mulheres jovens que tem aumentado muito a sua incidência nos últimos 10 anos.
A clínica está realizando uma campanha de conscientização. Poderia falar sobre o principal objetivo?
Na Medicina, a incessante busca e aprimoramento do conhecimento é uma prioridade diária, podendo oferecer aos pacientes tratamentos bem sucedidos para que assim eles possam desfrutar novamente da saúde, com qualidade de vida e esperança. Disponibilizar tratamentos inovadores é um grande avanço no combate ao câncer, no entanto, faz parte da nossa lista de prioridades uma rede de apoio que acolhe, acompanhe, dê voz, traz alívio para as dores do corpo e da alma. O Outubro Rosa é importante para reforçar pontos fundamentais de conhecimento para a população, mas reafirma também a necessidade de acolher e estar junto de todas as pacientes que enfrentam o câncer de mama, cada uma com sua realidade e dentro de suas condições. Nossa equipe inspira amor e empatia para fazermos parte dessa rede de apoio que vai além de campanhas e instituições.




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