Índice de desemprego diminui nos últimos meses

O desemprego é uma realidade que assombra os brasileiros, principalmente em tempos de instabilidade política e econômica. No período de um ano, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 939 mil pessoas entraram para esse grupo, totalizando cerca de 13 milhões de desempregados no país, no trimestre de julho a setembro de 2017. No entanto, se comparado ao trimestre anterior (de abril a junho), o índice de desemprego diminuiu, e um dos fatores que contribuíram para isso, foi o trabalho informal: dos 91,3 milhões de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em setembro, 22,9 milhões trabalhavam por conta própria, e 10,9 milhões eram empregadas no setor privado sem carteira de trabalho.

De acordo com o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a piora das condições do mercado de trabalho nos últimos três anos pode ser evidenciada pela redução do emprego formal, ou seja, na comparação com o mesmo período de 2014 o Brasil perdeu 3,4 milhões de empregos com carteira de trabalho assinada.

Para buscar a mudança desse cenário caótico, é preciso que cada profissional faça sua parte e adote estratégias específicas. Para explicar algumas delas, a reportagem conversou com Érica Belon, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoal e Psicologia Organizacional. Ela também é mestre em Educação, possui doutorado em Administração e atua há aproximadamente doze anos na área de recrutamento e seleção, através de sua empresa de treinamentos corporativos, em Itu, com o foco no desenvolvimento de profissionais de alta performance.


Foco e Estratégia 

Érica conta que o banco de dados de sua agência possui, em média, dez mil currículos, que são separados por área de atuação. “Quando recebemos uma vaga, analisamos primeiro em nosso sistema, depois publicamos para ver se no mercado há algum candidato melhor do que temos em nossos cadastros. Dependendo das vagas que publicamos, chegamos a receber em média 600 currículos por dia. Mas, apenas 3% são aproveitados, os demais normalmente estão fora do perfil. Os principais itens que desclassificam são: falta da graduação; muito tempo fora da escola e mudar constantemente de empresa, principalmente para cargos completamente diferentes”, explica a especialista.

Segundo ela, o desempregado deve, antes de tudo, ter foco e escolher a empresa onde deseja trabalhar. “Talvez você questione: ‘Mas e a crise? Devo aceitar o que aparecer?’ Para mudar de vida, é necessário mudar de pensamento. Você tem o direito de escolher onde trabalhar, mas deve batalhar por isso. Busque no LinkedIn, quais características os profissionais dessas empresas têm, e que você ainda não tem. Quase todos querem ser contratados por multinacionais, mas poucos falam corretamente um segundo idioma. Olhe para seu currículo e responda: com toda sua bagagem acadêmica e intelectual, qual salário você merece e qual empresa te contrataria? Faça esse exercício e não tem como não se recolocar”, garante.

Érica enfatiza que estudar deve ser a principal estratégia utilizada por quem está desempregado, já que profissionais são admitidos por seus conhecimentos. “Não há desculpas para não falar inglês, por exemplo. pois existem aplicativos gratuitos na internet. Trocar as redes sociais por livros fará com que o candidato melhore seu desempenho e desperte o interesse do recrutador. Além disso, é preciso ter vontade de trabalhar. Ninguém mais tem paciência para ficar ao lado de profissionais desmotivados, que reclamam e não gostam do que fazem. Por isso é importante saber o que quer da vida e se preparar para isso.”


Currículo e Entrevista

A seguir, Érica Belon dá algumas dicas para quem deseja fazer um currículo bem elaborado, que chame a atenção das empresas, e explica como se comportar em uma entrevista de emprego:

“O campo ‘objetivo’ no currículo tem a finalidade de dizer o que o candidato quer. Objetivos como “área administrativa” são muito vagos, pois, nessa área, existem inúmeras subáreas. Vejo que essa falta de autoconhecimento do candidato faz com que ele não seja visto pelo mercado. Não se deve colocar foto no currículo, a menos que a empresa solicite. Um dos principais erros é omitir informações relevantes: não acredito na filosofia de que o currículo deve ter somente uma página. Na verdade, ele deve conter toda a sua experiência profissional e acadêmica, capaz de provar que você está apto para a vaga. Além disso, todo profissional deve se fazer presente no LinkedIn, uma das melhores ferramentas para conexões profissionais, mas é preciso saber utilizar. Como professora de universidade, ensino meus alunos a construírem um currículo no LinkedIn, que seja atrativo ao mercado. Você pode ser criativo, falar com o recrutador utilizando vídeos para se apresentar, fazendo uso de links que provem toda sua experiência profissional, escrever matérias, enfim, no LinkedIn você consegue realmente dizer quem você é, sem precisar fazer tudo isso em vinte minutos de entrevista”.

Segundo a especialista, as redes sociais podem ser fortes aliadas na hora de conseguir um emprego, mas também podem ser grandes vilãs, caso não sejam utilizadas com cautela.  “As empresas visitam o perfil virtual da pessoa e quando encontram algo que não agrada, preferem buscar outro candidato. Já as roupas usadas nas entrevistas devem sempre estar alinhadas à vaga. Se é para advogado, cai bem um terno; se for para vendedor, uma camisa social. As moças também precisam ficar atentas, pois entrevista é para mostrar apenas as competências técnicas e intelectuais. Lembrando que o candidato jamais deve chegar atrasado no dia da seleção e nem ficar mexendo no celular. Outra dica importante: é imprescindível se informar sobre a empresa e a vaga que está buscando”.

Para finalizar, Érica deixa uma orientação aos profissionais que estão empregados: “Cumpra o que prometeu no dia da entrevista. Se você não está mais gostando de trabalhar na empresa, peça demissão. Ninguém tem segurança em nenhum emprego, então deixe de colocar a segurança no galho. Coloque a segurança nas suas asas, porque um dia o galho vai quebrar e você saberá voar. A recolocação é sua responsabilidade, não se acomode. Se não está conseguindo se recolocar, busque a ajuda de um profissional para desenhar sua carreira”, conclui.


Emprega Itu e Região

Há três anos, o consultor de Mídias Digitais, Ezequiel Tadeu Carneiro Franco, criou um projeto social, mais especificamente um grupo virtual chamado “Emprega Itu e Região”, existente nas redes sociais, que serve como ferramenta de divulgação de vagas. Ele lembra que a comunidade começou com apenas 100 membros, entre seus próprios amigos e familiares, e foi crescendo gradativamente, alcançando hoje quase 35.600 integrantes, entre empresas e candidatos de Itu, Salto, Cabreúva, Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz.

“O grupo surgiu porque eu recebia algumas vagas de emprego por e-mails vindos de sites especializados e não sabia o que fazer com as informações. Um mês depois que fui demitido do meu emprego em uma empresa de cobrança, resolvi divulgar as vagas em um grupo. Hoje, além das oportunidades de trabalho, divulgo também cursos gratuitos, tanto presenciais como online”, diz.

Ezequiel conta que costuma dedicar-se ao grupo quase o dia todo, respondendo às perguntas sobre vagas e dúvidas sobre currículos, porém concilia essa atividade com seu trabalho, tanto que enquanto visita seus clientes, fica sempre atento e em busca de oportunidades de emprego para divulgar em seu grupo virtual. “Costumo verificar todas as vagas que recebo na parte da manhã, e posto sempre a noite. Certa vez, quando uma loja de utilidades domésticas ainda estava em fase de construção em Itu, pesquisei para descobrir o nome da empresa e o e-mail do departamento de recursos humanos, entrei em contato, falei sobre o meu projeto, e eles aceitaram que eu divulgasse todas as vagas da loja em meu grupo. Depois fui convidado para o coquetel de inauguração e pude ver vários membros já empregados. Foi muito gratificante para mim”.

Segundo ele, até hoje o “Emprega Itu e Região” já ajudou cerca de 150 pessoas na recolocação profissional. E com o sucesso do projeto, ele deixa claro que tem planos futuros de criar um canal de vídeos na internet, para orientar pessoas a fazerem seus currículos e se cadastrarem em páginas de empregos. Além disso, seu site já está quase pronto e será inaugurado no próximo ano. “Fico feliz em poder contribuir com as pessoas. Quando alguém consegue recolocação profissional por meio do meu grupo, para mim é como se fosse um gol em final de copa do mundo”, finaliza.